segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Pela gestão planificada das empresas estatais

Discurso do camarada Kim Il Sung na reunião dos chefes de seção de indústria dos comitês populares provinciais e dos diretores das empresas estatais

3 de dezembro de 1946

No breve período de pouco mais de um ano desde a libertação da Coreia do jugo colonial do imperialismo japonês, o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, que é o Poder popular, com o apoio ativo de todo o povo, realizou reformas democráticas como a Reforma Agrária, em primeiro lugar, a Nacionalização das Indústrias, promulgou a Lei do Trabalho e a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher.

Assim, foram cumpridas com êxito as tarefas democráticas de importância capital para a época atual e, na Coreia do Norte, foram lançadas as bases para a construção de uma pátria democrática. É preciso destacar especialmente que as primeiras eleições democráticas de 3 de novembro passado fortaleceram ainda mais nosso Poder popular e consolidaram o triunfo das reformas democráticas.

A tarefa de maior importância para assegurar a soberania e a independência da pátria, enriquecê-la, fortalecê-la e desenvolvê-la é restaurar e fazer avançar rapidamente a economia nacional, criando as bases para uma economia nacional independente. Sem uma base sólida para a economia nacional, não se pode construir um Estado democrático independente, rico e poderoso, nem tampouco melhorar o bem-estar do povo.

Como é do conhecimento de todos, a economia de nosso país esteve durante muitos anos subordinada ao imperialismo japonês, que a submeteu a uma implacável pilhagem colonial. Como consequência disso, tivemos de empreender o caminho da construção da nova Coreia democrática apoiando-nos em uma economia muito atrasada e desequilibrada e, para piorar, devastada. Nosso país continua sendo ainda um Estado agrícola atrasado, com um nível muito baixo de desenvolvimento da indústria na economia nacional.

Para obter a independência econômica do país e alcançar os países avançados em todos os aspectos, devemos acabar com nosso atraso industrial e construir uma indústria independente que nos assegure produzir com nossos próprios meios diversos bens para as necessidades internas. Somente desenvolvendo a indústria poderemos promover rapidamente a economia rural e todos os demais ramos da economia nacional.

Nossa tarefa imediata consiste em restaurar a economia nacional, sobretudo reconstruir e desenvolver a indústria, apoiando-nos nos êxitos das reformas democráticas. Mas estamos encontrando diversas dificuldades e obstáculos nesse caminho.

O maior obstáculo que encontramos na construção de nossa indústria é seu caráter colonial de desequilíbrio e unilateralidade.

A indústria que os imperialistas japoneses nos deixaram havia sido criada e explorada não para o desenvolvimento da economia da Coreia, nem para melhorar o bem-estar de nosso povo, mas exclusivamente em benefício desses saqueadores colonialistas, como apêndice da economia japonesa. Por essa razão, a própria estrutura da indústria ficou enormemente desequilibrada e unilateral. A indústria pesada ocupa uma proporção relativamente grande, mas, em sua maior parte, é uma indústria de extração de riquezas naturais e carece do setor de construção de máquinas e de uma série de outros ramos importantes. Sobretudo, a indústria leve é insignificante.

São muito frágeis também as correlações entre os processos de produção dentro de um mesmo ramo industrial, quanto mais entre diferentes ramos. Para piorar, estando o país dividido, agravam-se ainda mais a desproporção e a unilateralidade de nossa indústria.

A grande escassez de matérias-primas e materiais necessários para restaurar e fazer avançar a indústria é outro dos grandes obstáculos que enfrentamos.

Originalmente, nosso país era abundante em recursos naturais. Porém, como o imperialismo japonês os saqueou impiedosamente e os levou para seu país, após a libertação restaram-nos pouquíssimas matérias-primas e materiais para satisfazer as necessidades urgentes e, para piorar, agora, depois de um ano, eles estão quase se esgotando. Daí sofrermos hoje com esta escassez de matérias-primas, materiais e combustíveis. Especialmente, a grave escassez de carvão mineral, em primeiro lugar, de carvão betuminoso, cria-nos dificuldades em toda parte. Sobretudo, dado o estado de destruição em que ficaram as instalações de muitas fábricas e minas, é muito difícil cobrir com a produção interna a quantidade de matérias-primas e materiais de que necessitamos.

Outro dos mais graves obstáculos que enfrentamos na edificação da economia é a escassez de técnicos e operários qualificados.

Os imperialistas japoneses haviam implantado na Coreia uma nefasta educação de escravidão colonial, impedindo assim os coreanos de ter acesso à formação técnica. Como consequência disso, hoje dispomos de poucos cientistas e técnicos e até mesmo de um contingente reduzido de operários qualificados. Em nosso país há não apenas poucos especialistas em ciências naturais e tecnológicas, mas também um número muito reduzido de economistas capacitados para a gestão na indústria. Por isso, temos hoje como uma das tarefas mais urgentes a formação de grande número de técnicos e especialistas para diversos campos e de operários qualificados que possam assumir os principais processos de produção em vários ramos.

Também carecemos de fundos para a recuperação e construção da indústria. Escasseia não apenas o capital privado, mas também os fundos do Estado para a gestão de suas empresas. Daí que a tarefa mais importante que temos diante de nós seja resolver o problema dos fundos indispensáveis para o desenvolvimento da indústria, aumentando a acumulação estatal e mobilizando todos os recursos financeiros possíveis do país.

Como vimos acima, na restauração da indústria enfrentamos muitos obstáculos e condições difíceis, mas não devemos jamais desanimar. Nas condições atuais, em que contamos com o Poder popular e nacionalizamos as principais indústrias, podemos vencer qualquer dificuldade, restaurar e desenvolver nossa indústria em pouco tempo e impulsionar com êxito a obra de construção do Estado, se todo o povo demonstrar no mais alto grau entusiasmo e iniciativa.

De importância decisiva para superar as dificuldades que surgem na construção econômica é fomentar o ânimo para a edificação do país entre as amplas massas populares. Entretanto, entre nossos funcionários ainda não se manifesta o estilo de trabalho abnegado, consagrando todas as forças e todo o talento à construção de uma nova Coreia democrática, rica e poderosa. Hoje, entre os trabalhadores responsáveis pelas empresas estatais, há muitos que não têm plena consciência de que eles próprios são os verdadeiros donos da fábrica e até mesmo há preguiçosos que subtraem os bens do país e do povo. Devemos ter bem presente que somente fazendo arder intensamente o entusiasmo patriótico e a disposição de construir o Estado poderemos restaurar e desenvolver com êxito a economia nacional, vencendo todas as dificuldades.

A Campanha de Mobilização Ideológica Geral para a Construção do Estado é um fator que impulsiona poderosamente a construção do país democrático. Por isso mesmo, devemos impulsioná-la com maior força, procurando que todas as pessoas façam sempre um exame de como estão manifestando a disposição para a construção do Estado e façam críticas mútuas com espírito de camaradagem.

Para a rápida recuperação e o avanço da economia nacional, é importante orientar de forma planificada o desenvolvimento das indústrias nacionalizadas e a direção das empresas estatais. Somente quando desenvolvermos de modo planificado a economia nacional, sobretudo quando assegurarmos um sólido sistema de administração planificada da indústria estatal, poderemos desenvolver com êxito a construção de nossa economia e lançar bases sólidas para a fundação do Estado democrático, unificado, rico e poderoso, vencendo todas as dificuldades.

Além de concentrarmos os esforços no desenvolvimento planificado da indústria estatal, que hoje é propriedade de todo o povo, devemos, ao mesmo tempo, utilizar ativamente o capital privado. Dessa maneira, articularemos estreitamente as indústrias estatais com as privadas, promovendo estas últimas ao mesmo tempo que ampliaremos e fortaleceremos rapidamente as primeiras.

Considerando que os projetos do plano de produção e finanças para o ano de 1947, preparados desta vez pelo Departamento de Indústria, foram traçados corretamente, em linhas gerais, nessa direção, espero que, para levá-los a bom termo, vocês trabalhem com afinco em todos os ramos e empresas.

Para dirigir corretamente a indústria estatal guiando-se por um plano, é preciso, antes de tudo, conhecer profundamente as leis econômicas e os princípios de administração empresarial que regem o setor industrial nacionalizado. Somente então será possível administrar com êxito as empresas estatais e demonstrar plenamente sua superioridade.

Desconhecendo os dados estatísticos concretos sobre o estado da produção e da gestão, é totalmente impossível dirigir as empresas estatais de forma planificada. Somente dispondo de estatísticas exatas sobre os equipamentos, materiais, fundos e mão de obra e conhecendo detalhadamente a realidade objetiva é possível elaborar um plano correto, e somente dispondo de um plano bem pensado e detalhado é possível exercer a direção das empresas segundo critérios de planejamento. Assim, nossa tarefa urgente consiste em implantar em todas as empresas um sistema de contabilidade da gestão e de informações estatísticas. O principal na gestão planificada da indústria estatal é aplicar corretamente o sistema de autofinanciamento.

Não devemos menosprezar a contabilidade econômica pelo fato de a produção ser primordial. Naturalmente, o objetivo e os princípios da administração da empresa estatal, que é propriedade do povo, são diametralmente opostos aos da administração da indústria capitalista. O objetivo desta última é obter lucros explorando os operários, mas, ao contrário, em nossa empresa estatal não pode haver exploração; seu único objetivo é aumentar a produção para o bem-estar dos trabalhadores. Mas se, por isso, permitirmos uma gestão não rentável e irracional, com prejuízos, isso agravará os encargos financeiros do Estado e acabará repercutindo negativamente na melhoria do bem-estar de todo o povo. Por isso, é preciso que cada empresa estatal aumente sua rentabilidade elevando a produtividade do trabalho, economizando matérias-primas e materiais e reduzindo sistematicamente o preço de custo dos produtos, a fim de assegurar uma maior acumulação estatal.

Espero que vocês, camaradas diretores das empresas estatais, elaborem corretamente planos detalhados de produção e finanças para suas empresas, de acordo com os índices estabelecidos no plano estatal que receberão em breve, e os superem, mobilizando todos os recursos e possibilidades para contribuir em grande medida para a ampliação e o desenvolvimento de nossa indústria e para a melhoria do bem-estar dos trabalhadores.

Outro problema importante na gestão empresarial consiste em estabelecer um rigoroso sistema de administração do patrimônio e pagar devidamente os salários.

Há casos em que alguns trabalhadores dizem, da boca para fora, preocupar-se com as fábricas e os bens do povo, mas, em conluio com especuladores que prejudicam a construção da democracia, dispõem arbitrariamente dos bens das empresas estatais em benefício próprio. Esses roubos de bens estatais são atos antipopulares, imperdoáveis em nosso regime atual. Aos culpados por tais atos deverá ser aplicado o castigo merecido, conforme determina a lei de administração dos bens das empresas estatais.

Por outro lado, há também trabalhadores com tendência a trabalhar menos e receber mais, interpretando erroneamente o espírito fundamental da Lei do Trabalho. Todos, sem exceção, deverão ser remunerados de acordo com a quantidade e a qualidade do trabalho realizado. Não se pode tolerar que aquele que produz menos no trabalho pretenda receber o mesmo salário que aqueles que trabalham mais.

Devemos rejeitar o igualitarismo salarial, por ser injusto. Devemos fundamentar cientificamente as normas de trabalho por ramos e profissões e estabelecer o princípio de pagar mais aos operários que as superem.

Os camaradas diretores das empresas devem abandonar a velha prática de distribuir a mão de obra sem ordem nem plano, empregá-la e organizar o trabalho racionalmente de acordo com um plano detalhado, e fortalecer por todos os meios a disciplina do trabalho, a fim de acabar com o desperdício de mão de obra em todas as fábricas e empresas e impedir que surja qualquer caso de preguiça.

Por último, gostaria de enfatizar que é muito grande a responsabilidade que vocês têm no exercício da direção das empresas estatais.

O Estado confiou a vocês a administração de empresas que são propriedade de todo o povo, artérias vitais para a construção de uma Coreia democrática. Somente exercendo corretamente a administração planificada das empresas estatais nossa economia nacional poderá ser restaurada e desenvolvida mais rapidamente e a construção do Estado democrático e unificado, soberano e independente, rico e poderoso será acelerada. Vocês farão todo o possível para cumprir esse importante dever que assumem.

Estou firmemente convencido de que vocês, que têm a grande honra de ser diretores das empresas estatais, superarão brilhantemente o plano do ano de 1947, o primeiro plano da economia nacional de nosso país, mobilizando o entusiasmo e a força criadora de todos os operários e técnicos, no pleno cumprimento das medidas do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte.

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