Discurso do camarada Kim Il Sung na III Reunião Ampliada do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte
25 de novembro de 1946
Camaradas membros do Comitê Popular:
Em 3 de novembro, foram concluídas vitoriosamente as eleições dos membros dos comitês populares de província, cidade e condado. Todo o povo acolheu esse dia como sua festa mais gloriosa e cumpriu o sagrado dever cívico de eleger seus representantes, animado por elevado entusiasmo patriótico e alegria.
Participaram da votação 4.501.813 pessoas, cifra equivalente a 99,6% dos eleitores, cujo número totalizava 4.516.120, e sua absoluta maioria votou a favor dos candidatos apresentados pela Frente Unida Nacional Democrática. O percentual de votos a favor foi de 97% nas eleições dos comitês populares provinciais, 95,4% nas das cidades e 96,9% nas dos condados. Isso constitui um triunfo verdadeiramente retumbante.
A vitória nas recentes eleições demonstrou ao mundo inteiro que somos capazes de viver tão bem quanto outros, organizar nossa vida e governar o país com nossas próprias mãos, lançando por terra as calúnias e a difamação promovidas pelos imperialistas e traidores contra o povo coreano.
Essa vitória testemunha o grau de consciência política alcançado pelo nosso povo coreano e a firmeza de sua unidade e disposição. Constitui uma clara advertência de que ninguém pode atentar à sua vontade contra os interesses e o poder do povo coreano.
O triunfo nas recentes eleições comprova mais uma vez que o caminho seguido hoje pelo nosso povo é realmente um caminho para as massas populares, para a construção de um Estado autenticamente independente e unificado, um caminho que todo o povo exige e apoia calorosamente.
A vitória eleitoral constitui mais um elemento da firme confiança do nosso povo em suas próprias forças e de sua convicção inabalável em que seus trabalhos são justos e serão inevitavelmente coroados por novas vitórias.
Enquanto o povo norte-coreano participava das eleições democráticas, os grupos reacionários da Coreia do Sul montaram o palco da farsa e realizaram as chamadas "eleições dos órgãos legislativos". Estas são rejeitadas por todo o povo sul-coreano e encontram opositores até mesmo nos partidos políticos de direita que eles próprios fabricaram e dirigiam.
Por meio das recentes eleições, reunimos ainda mais firmemente as forças democráticas e consolidamos ainda mais as realizações alcançadas ao longo de um ano.
Camaradas:
As recentes eleições constituíram um julgamento popular justo e solene sobre o trabalho realizado pelo nosso comitê popular durante um ano. Por meio de suas experiências pessoais, o povo chegou a compreender que o comitê popular é o poder que realmente defende seus interesses; que precisamente esse poder merece sua confiança e que pode confiar-lhe seu destino sem qualquer preocupação. Por isso, nas recentes eleições, nosso povo manifestou seu pleno apoio e confiança no comitê popular.
A que se devem o prestígio do comitê popular e a profunda confiança que o povo deposita nele, demonstrados ambos na vida prática e, além disso, plenamente atestados pelo resultado das recentes eleições?
Devem-se, antes de tudo, ao fato de que o comitê popular não apenas representa e defende os interesses de todo o povo, mas também é composto por representantes de todos os setores e camadas do povo. Precisamente nisso reside a grande vitalidade do comitê popular. Os seguintes números dos resultados eleitorais mostram claramente que nosso comitê popular é um genuíno órgão de poder do povo, organizado com seus representantes de todos os setores. Das 3 459 pessoas eleitas como membros dos comitês populares de província, cidade e condado, há:
operários
510......... 14,7%
camponeses
1 256...... 36,4%
funcionários
1 056...... 30,5%
trabalhadores da cultura
311...... 9,0%
comerciantes
145...... 4,2%
empresários
73...... 2,1%
religiosos
94...... 2,7%
ex-proprietários de terras
14...... 0,4%
Dos membros dos comitês populares, 453 são mulheres, cifra equivalente a 13,1% do número total.
A classe operária, que sob a dominação colonial foi vítima da mais cruel exploração e perseguição dos bandidos japoneses, tendo travado uma luta mais decidida contra os inimigos, desempenha um papel de vanguarda na construção, pela via democrática, de seu país libertado. Por isso, é natural que muitos operários tenham integrado o Poder popular. Até hoje, aos camponeses, embora componham a maioria absoluta da população, jamais foi reconhecido qualquer direito, tendo sido pisoteados e invariavelmente submetidos à exploração e opressão por parte dos privilegiados. E também é natural que tenham sido eleitos em maior número como representantes de nossos órgãos do Poder popular. Além deles, integram os comitês populares empregados, expoentes da cultura, empresários, comerciantes e religiosos.
As mulheres, que na velha Coreia feudal e colonial foram pisoteadas e privadas de seu legítimo direito de serem tratadas como os homens, hoje, na nova Coreia, aparecem dignamente no cenário político e enviam numerosas representantes aos órgãos do Poder popular.
Tudo isso atesta o fato de que o comitê popular possui estreitos vínculos com amplas massas populares e nelas lançou profundas raízes. Além disso, evidencia que nosso comitê popular é um tipo de poder democrático que se baseia na Frente Unida Nacional Democrática e representa as exigências e os interesses das amplas massas populares de todos os setores e camadas.
Por meio do trabalho prático realizado durante o ano transcorrido, o comitê popular demonstrou claramente que somente um poder assim constituído possibilita a libertação das massas populares das nefastas consequências da dominação inimiga, a elevação de seu nível de vida material e cultural e a construção de um Estado independente e democrático, rico e poderoso.
O comitê popular realizou a reforma agrária e, distribuindo a terra aos camponeses que a cultivam, emancipou-os do sistema feudal de arrendamento e abriu-lhes o caminho para criar uma nova vida. Hoje em dia, os donos do campo não são os nobres ou os proprietários de terras, mas os camponeses que trabalham com a enxada.
O simples fato de que os camponeses tenham participado com tal entusiasmo nas recentes eleições e as tenham celebrado tão calorosamente é muito demonstrativo de sua confiança e respeito pelo comitê popular. O ardente patriotismo e o espírito voluntarioso que manifestaram na campanha de entrega total dos impostos em espécie que hoje ocorre na Coreia do Norte suscitam a admiração geral e proporcionam grande ânimo e força a nós, encarregados dos assuntos do Estado.
Ao confiscar e nacionalizar as empresas industriais que estavam nas mãos do Estado japonês, de particulares japoneses e de traidores da nação, o comitê popular fez com que todas as indústrias passassem a servir à melhoria da vida material e cultural das massas populares e à restauração e ao desenvolvimento do Estado. Ao implantar a jornada de trabalho de 8 horas, o sistema de proteção ao trabalho e os seguros sociais, emancipou operários e empregados da exploração colonial e criou condições para elevar rapidamente seu nível de vida material e cultural.
Em virtude da lei do Estado, o comitê popular protege os bens particulares, fomenta as empresas e o comércio privados e estimula e desenvolve a iniciativa criadora de empresários e comerciantes.
Com a finalidade de desenvolver nossa cultura nacional, o comitê popular reformou o sistema educacional e dedicou todos os esforços à criação de um grande número de institutos, escolas especializadas e outras instituições culturais. Em virtude da lei do Estado, a mulher passou a gozar de direitos iguais aos do homem e participa ativamente de todas as atividades sociais e da construção do Estado.
No curso de seu trabalho efetivo em benefício das massas populares, o comitê popular estabeleceu relações estreitas com todos os setores e camadas do povo, conquistando entre as massas populares um prestígio que ninguém pode menosprezar.
Podemos dizer sem hesitação que nenhuma força reacionária é capaz de se atrever a destruir um poder que, lançando profundas raízes nas massas populares, estabeleceu sólidos vínculos com elas e conquistou sua confiança na vida prática.
É justo que sintamos grande orgulho por termos estabelecido em nosso país o comitê popular, um tipo de genuíno Poder popular.
Camaradas membros do comitê popular:
Mas todas essas vitórias não foram conquistadas por si mesmas, mas em uma luta tensa contra os inimigos.
Os bandos de reacionários sul-coreanos que não veem com bons olhos nossos êxitos, hostilizam a democracia e se opõem à soberania e independência da Coreia, tentaram frustrar por todos os meios as recentes eleições democráticas na Coreia do Norte.
Eles também sabiam muito bem, de antemão, que essas eleições teriam grande importância para o desenvolvimento democrático da Coreia e para a construção de um Estado unificado, soberano e independente, e que tal vitória lhes desferiria golpes contundentes. Por essa razão, recorreram a toda espécie de maquinações sinistras com o objetivo de frustrá-las.
Os reacionários sul-coreanos coordenaram de forma organizada os atos de sabotagem às eleições. Uma vez iniciados os trabalhos eleitorais, ordenaram a seus seguidores que divulgassem rumores como: "as eleições não valem nada", "as eleições são antidemocráticas", "é prematuro realizar as eleições", e, por meio deles, pretenderam divulgar de forma distorcida entre os habitantes o significado e a natureza democrática das recentes eleições.
Além disso, os reacionários recorreram aos métodos mais vis para semear a discórdia entre os diversos partidos políticos e, posteriormente, desfazer a Frente Unida Nacional Democrática. Eles diziam: "Não é necessário candidato comum. A livre concorrência, essa sim é uma verdadeira eleição democrática", "Os resultados das eleições farão tal partido monopolizar a predominância", "Será a morte de tal partido se não chegar ao poder desta vez", e, com essas calúnias e difamações de toda espécie, manobraram freneticamente para desfazer a Frente Unida Nacional Democrática e frustrar as eleições.
Os elementos reacionários tentaram subornar os operários que levavam uma vida pobre e fazer fracassar os trabalhos eleitorais, incitando os estudantes. E chegaram a tentar atiçar os ex-proprietários de terras com a mentira absurda de que "lhes devolveriam as terras". Enviaram como espiões alguns pastores cristãos mal-intencionados, a quem consideravam dignos de sua confiança, e tramaram toda espécie de maquinações para atrair os religiosos honestos.
Por último, os elementos reacionários tramaram a chamada "campanha da urna negra". Isto é, era preciso participar das votações, mas os votos deveriam ser depositados na urna negra. Em Sinuiju, por exemplo, ficando à espreita em becos escuros, os reacionários detinham as mulheres e as incitavam enganosamente para que, caso apoiassem os candidatos, depositassem seus votos em urnas negras. Apesar das perversas maquinações e intrigas dos reacionários, todos os setores da população da Coreia do Norte se mobilizaram unanimemente para realizar vitoriosamente as eleições e frustraram por completo os esforços desesperados desses reacionários ignominiosos.
Por meio das recentes eleições, devemos tirar as devidas lições sobre as atividades dos grupos reacionários. De modo algum a vitória deve ser motivo para que nos acomodemos ou nos vangloriemos.
Nunca devemos esquecer que, quanto mais cresçam as forças do povo e se eleve sua consciência política, quanto mais se consolidem as bases democráticas, se aproxime o dia da independência completa e o fim das forças reacionárias, tanto mais frenéticos se tornarão os esforços reacionários. Quanto mais poderosas se tornarem nossas forças e quanto mais se aproximar a vitória final, tanto mais deveremos intensificar a vigilância e nos preparar para enfrentar uma luta mais aguda e complicada. A autossatisfação e a embriaguez consigo mesmo significam, por si só, a ruína.
A luta contra os grupos reacionários torna-se mais aguda a cada dia. Não devemos conceder aos inimigos nem a menor oportunidade.
Por que razão registramos a vitória absoluta nas presentes eleições, apesar de todas as sabotagens e conspirações planejadamente perpetradas pelos grupos reacionários?
Isso se deve, primeiro, ao fato de que se elevaram consideravelmente a consciência política e o entusiasmo das massas populares que aspiram à independência, à soberania e à democracia, bem como à férrea unidade de todas as massas trabalhadoras.
As massas populares, plenamente conscientes de que o resultado dessas eleições constituiria um fator importante para seu futuro destino, empenharam-se ao máximo em eleger representantes capazes de lutar tenazmente por seus interesses.
Segundo, a Frente Unida Nacional Democrática desempenhou um grande papel. Assim como em todas as reformas democráticas do passado, também nestas eleições a frente unida foi uma importante garantia da vitória.
A Frente Unida Nacional Democrática tem sob sua jurisdição massas organizadas de mais de 6 milhões de pessoas e cresceu como uma poderosa força capaz de repelir prontamente qualquer maquinação reacionária. Graças às suas atividades, essa frente já goza da confiança do povo e tornou-se um fator fundamental da recente vitória eleitoral.
Terceiro, o papel dos propagandistas na recente campanha eleitoral deve ser altamente valorizado. Quase todos, começando pelos alunos do ensino primário, os do ensino secundário, os estudantes universitários, os jovens, as mulheres, os artistas e os membros das diversas organizações sociais, mobilizaram-se e lutaram zelosamente pela vitória nas eleições.
Uma propagandista de uma zona montanhosa da província de Kangwon, por exemplo, realizou o trabalho de explicação sobre as eleições percorrendo a pé lugares montanhosos distantes de 30 ou 40 ris, levando seu bebê às costas. Em todos os lugares e recantos da Coreia do Norte ouviu-se o canto dos artistas e foram organizadas apresentações teatrais e de dança. Em particular, foi grande o papel dos estudantes. Eles realizaram o trabalho de explicação durante dias e noites, tanto nas ruas quanto nas zonas rurais.
O que houve de mais característico nessa propaganda eleitoral foi que ela foi realizada como uma campanha de massas e penetrou profundamente entre as massas populares.
O entusiasmo manifestado pelos propagandistas nas recentes eleições ficará eternamente gravado em nossa história da construção do Estado como expressão do patriotismo de nosso povo.
Tudo isso constituiu um fator importante para assegurar nossa presente vitória.
E agora gostaria de me referir às tarefas dos comitês populares. Nosso dever consiste em consolidar a vitória conquistada e conduzi-la de modo planejado. Devemos cumprir, antes de tudo, as seguintes tarefas imediatas:
Primeiro, devemos fortalecer ainda mais os comitês populares. Como resultado das eleições, os comitês populares consolidaram-se como poder legal. A tarefa que temos diante de nós é elevar seu prestígio e seu papel. Devemos aperfeiçoar e reforçar seus aparatos e estabelecer um sistema correto de administração. É preciso eliminar toda espécie de atos ilegais e violações das leis, observar estritamente as leis do Estado e estabelecer disciplina e ordem na administração.
Ainda se manifesta persistentemente um estilo burocrático no trabalho dos comitês populares. Os procedimentos complicados e os métodos formalistas de trabalho constituem um grande obstáculo para que os habitantes se aproximem mais e participem ativamente dos trabalhos do comitê popular. Isso contraria o caráter essencial do comitê popular como autêntico poder do povo e constitui um grande obstáculo que o impede de manifestar plenamente sua superioridade. Além disso, devo dizer-lhes que dentro dos organismos do Poder popular ainda permanecem escondidos os elementos espúrios, cujas atividades subversivas causam não poucas perdas ao povo.
É preciso excluir dos comitês populares de todos os níveis as pessoas irresponsáveis e incapazes que passam o tempo comodamente, sem fazer nada, os burocratas e os elementos espúrios ideologicamente inconsequentes. Devemos eliminar também todo método de trabalho formalista. Dessa maneira, deverão ser reforçados os órgãos do poder, elevada sua eficácia, simplificados os trabalhos burocráticos e excluído todo pessoal desnecessário.
Atualmente, no Comitê Popular da Cidade Especial de Pyongyang trabalham 1 106 pessoas, entre as quais 51 são auxiliares de serviço, e os chefes das seções contam com mais de um chamado "assistente de escritório". Além disso, em muitos organismos da cidade de Pyongyang há numerosos preguiçosos que simplesmente recebem o dinheiro do Estado sem fazer nada além de ocupar um lugar olhando para o teto.
Em certa localidade, são cobrados dos camponeses impostos que nem sequer o comitê popular do condado conhece, quanto mais o comitê popular provincial. E, para piorar, não se trata de um ou dois impostos, mas de mais de dez. Por exemplo, na província de Hamgyong Norte, os impostos cobrados dos camponeses chegam a 17-22 tipos. Não podemos deixar de qualificar tudo isso como atividades subversivas dos preguiçosos e elementos espúrios que, ao violarem intencionalmente as leis do Poder popular, pretendem diminuir o prestígio dos comitês populares e afastar o povo deles.
A tarefa mais importante que temos hoje é eliminar todo pessoal desnecessário, expulsar os burocratas e elementos espúrios dos comitês populares e, dessa maneira, consolidar a autoridade do poder estatal e o respeito às leis. Se esse problema não for solucionado, não será possível desenvolver ainda mais o comitê popular como genuíno poder do povo, nem cumprir as novas e maiores tarefas que temos pela frente.
Todos os membros do comitê popular devem saber aproximar-se das massas, divulgar entre elas a política do comitê popular e verificar frequentemente se ela é executada corretamente. Devemos dar ouvidos ao que dizem as massas, aprender com elas o bom hábito de ser laboriosos e modestos e sua sabedoria, para sermos membros do comitê popular que representem genuinamente os interesses do povo. Além disso, devemos ser seus dirigentes comprovados, que não tolerem nem ignorem os costumes ultrapassados e as tendências errôneas que sobrevivem em certos setores, mas saibam combatê-los para corrigi-los.
Os comitês populares de todos os níveis deverão intensificar a direção e o controle sobre os órgãos de segurança e de procuradoria, bem como eliminar entre seus funcionários toda espécie de tendências burocráticas e autoritárias que os afastem das massas.
Segundo, é preciso impulsionar em escala nacional e com dinamismo a Campanha de Mobilização Ideológica Geral para a Construção do Estado entre as amplas massas populares e travar a luta pela transformação das consciências ideológicas obsoletas.
Onde quer que trabalhem nossos quadros, seja nos organismos de administração, indústria, cultura, educação ou segurança, devem ter plena consciência das circunstâncias e condições em que lutamos para construir um novo país. Muitos quadros não veem nossas dificuldades nem nossas deficiências. Daí que certos funcionários ainda tenham hábitos nocivos: afeiçoam-se ao luxo e vivem na corrupção e na libertinagem, buscando o desfrute pessoal; em vez de procurar avançar conjuntamente, superando as dificuldades por meio da ajuda mútua, temem as vicissitudes e mostram-se indolentes e preguiçosos; não se esforçam para criar o novo nem querem estudar. Tudo isso são sequelas que o imperialismo japonês nos deixou durante sua prolongada dominação. É evidente que não podemos construir agora um novo país nas difíceis circunstâncias que enfrentamos sem eliminar esses resquícios ultrapassados.
Como vocês sabem, herdamos do imperialismo japonês apenas fábricas destruídas, organismos de transporte em estado caótico, uma economia rural em ruínas e cofres com apenas registros. Temos muita penúria e muitos obstáculos. Atualmente lutamos em condições muito difíceis pela construção de um novo país, carregando sobre os ombros o destino da nação. Portanto, temos de avançar vencendo todas as dificuldades, cerrando os dentes para fabricar aquilo que não existe e suportar a escassez.
Se nos entregarmos à preguiça, à corrupção e ao luxo, se formos vencidos pelo medo das dificuldades e nos tornarmos presa do desejo de desfrute pessoal, nossa pátria será novamente vítima de um destino trágico.
Plenamente conscientes das circunstâncias e condições em que nosso país se encontra hoje, devemos colocar em prática maior abnegação e iniciativa criadora em nosso trabalho.
Ocupando sua posição de vanguarda, os funcionários dos comitês populares, dos organismos da indústria, cultura, educação e de todos os demais domínios devem empreender entre as amplas massas a luta contra as ideias obsoletas e munir-se da nova ideologia da construção do Estado.
Todos os quadros e o povo devem saber corretamente, antes de tudo, quão difícil é a situação econômica que nossa pátria atravessa. Portanto, todos nós, sem exceção, temos de trabalhar diligente e responsavelmente, criando um ambiente de trabalho de quatro horas quando os outros realizam uma jornada de duas, e de dez ou doze horas quando outros trabalham oito horas. É necessário eliminar os preguiçosos que vegetam ociosamente nos locais de trabalho, nas ruas e nos recantos escuros.
É preciso intensificar a luta contra todo tipo de desperdício, fraude, desfalque e outros vícios, e desenvolver um movimento de economia de massas em todos os domínios, desde a administração da economia estatal até a vida privada de consumo.
É necessário eliminar as tendências à desorganização, à desordem e à indolência, bem como as nefastas práticas da calúnia e da difamação, e estimular a ajuda mútua, a unidade e o desenvolvimento conjunto. É preciso combater resolutamente toda espécie de egoísmo que, pensando apenas no gozo pessoal, conduz ao desprezo pela comunidade do Estado e pela sociedade, ao desperdício e à negligência com os bens estatais. Devemos formar uma nova moral popular, segundo a qual os interesses sociais sejam colocados acima dos privados e os bens do Estado sejam valorizados e protegidos.
É imprescindível superar corajosamente as dificuldades em vez de temê-las e criticar impiedosamente os defeitos em vez de ocultá-los. É nosso dever educar as massas na coragem e na paciência, para que não temam nenhuma dificuldade ou obstáculo, mas os superem até o fim, bem como cultivar nelas um espírito de crítica constante e correção dos defeitos.
Os quadros devem estudar pacientemente o trabalho que lhes foi atribuído e esforçar-se para aprender os novos conhecimentos e avanços científicos, combatendo a tendência errônea de rejeitar a experiência alheia, embriagados pela própria autossuficiência e vaidade. Assim, devem elevar seu nível profissional, assimilar os novos conhecimentos científicos e introduzir ativamente as experiências positivas dos países avançados.
Em suma, precisamos empreender a revolução ideológica que cultive o espírito, os traços, a moral e a capacidade combativa próprios dos trabalhadores da nova Coreia democrática. É preciso eliminar todos os hábitos e atitudes de vida pessimistas e corruptos que nos foram legados pelo imperialismo japonês, bem como realizar a grande transformação ideológica que crie um ambiente cheio de vigor e de vidas pulsantes, o ambiente nacional da nova Coreia democrática.
Terceiro, é preciso esforçar-se para concluir no prazo determinado a entrega dos impostos agrícolas em espécie e concretizar plenamente a política alimentar do Estado. Qualquer que seja o país de que se trate, a correta aplicação dessa política tem grande importância. Uma vez que o país possua cereais em abundância, será possível restaurar e desenvolver a indústria, administrar as empresas de transporte ferroviário e desenvolver a educação e a cultura. Em particular, como o nosso é um país recém-libertado, há escassez de tudo e não dispomos de reservas de alimentos, sendo a necessidade mais urgente a dos alimentos.
A penúria de alimentos não aflige apenas nossa Coreia. Os povos de todos os países enfrentam dificuldades de abastecimento, pois faz apenas um ano que o mundo se libertou das chamas da guerra e, como se isso não bastasse, ocorreram calamidades causadas por secas e inundações. Daí ser difícil contar com a ajuda de outros países para resolver o problema dos alimentos. Não temos outro remédio senão abastecer-nos, por todos os meios, dos cereais produzidos por nossa Coreia do Norte.
Para isso, devemos empreender vigorosamente uma campanha de entrega patriótica de cereais, a fim de que os camponeses, depois de pagar os impostos em espécie, doem mais cereais ao Estado por amor à pátria. Além disso, mobilizando as cooperativas de consumidores, devemos realizar uma coleta ativa de cereais, trocando-os por mercadorias com os camponeses. Assim, à medida que nosso país dispuser de cereais em abundância, poderemos dar maior impulso à execução de todas as políticas. Portanto, levantando a palavra de ordem "Doar muitos cereais ao Estado pela construção de um Estado democrático e completamente independente!", deveríamos concentrar todas as forças na arrecadação dos impostos em espécie.
É preciso impedir categoricamente que os especuladores levem alimentos para fora da Coreia do Norte. É imperioso considerar como ato subversivo contra a construção democrática e como ato de traição à pátria obrigar o povo a passar fome desviando os alimentos estatais para outros lugares. É necessário que todo o povo lute contra semelhantes elementos; os comitês populares de todos os níveis e os organismos de segurança, procuradoria e justiça devem puni-los severamente de acordo com a lei.
Em seguida, é preciso dar início a um dinâmico movimento de economia de cereais. Comete um grande crime contra o povo aquele que sabe apenas recebê-los, mas não os armazena devidamente nem os economiza. As seções de administração de cereais dos comitês populares de todos os níveis e os organismos de segurança devem recensear os trabalhadores físicos e intelectuais para elaborar uma estatística correta, adotar medidas rigorosas contra o racionamento injusto e distribuir as rações de maneira mais justa, sem o menor desperdício. Somente aqueles que trabalham em seu local de trabalho e seus familiares têm direito a receber a ração de alimentos; não se devem fornecer alimentos aos ausentes do trabalho ou aos preguiçosos que vivem sem trabalhar, tendo apenas seu nome registrado nos locais de trabalho.
Entre certos camponeses sobrevive a ideia errônea e o mau hábito de "comer tudo o que houver". Os comitês populares devem prestar especial atenção para que os camponeses economizem cereais.
Nosso trabalho de construção do Estado não será concluído em um ou dois dias. Nesse caminho, devemos prever que encontraremos muitos obstáculos e vicissitudes. E devemos estar conscientes de que a situação alimentar continuará difícil por algum tempo.
É imperativo que nos oponhamos resolutamente à prática de qualquer espécie de desperdício e consumo injusto, tais como o desperdício de cereais no campo por ocasião de casamentos e funerais ou seu desperdício na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas caseiras.
Os comitês populares de todos os níveis devem guardar bem e com responsabilidade os cereais já recebidos. Os reacionários tentam recorrer a atividades subversivas sinistras, como incendiar nossos celeiros, com o objetivo de prejudicar os interesses de nossa nação e frustrar nosso trabalho. Devemos sempre nos precaver contra essas ações nocivas dos inimigos e armazenar devidamente os cereais, de modo que nem um único grão apodreça.
Em resumo, é preciso concentrar todas as forças na luta pelos alimentos, tendo em conta que a aplicação correta ou incorreta da política alimentar em nossa luta atual constitui um importante problema que determinará se sairemos vencedores ou vencidos.
Quarto, restaurando e desenvolvendo o quanto antes a indústria e os transportes, devemos dedicar enormes forças para lançar firmemente as bases econômicas para a construção de um Estado democrático, soberano e independente, e para melhorar a vida material e cultural do povo. Os comitês populares ainda não prestam a devida atenção à restauração da indústria. Esta e os transportes constituem a espinha dorsal e a artéria de nossa economia estatal. O comitê popular deve concentrar todos os esforços na recuperação da indústria.
Será preciso selecionar corajosamente os combatentes patrióticos mais democráticos, os ativistas fiéis à política do Estado que lutam consequentemente contra os reacionários, bem como os operários qualificados e honestos, para promovê-los como funcionários da administração fabril, e reeducar aqueles funcionários administrativos indolentes e incapazes, incorporando-os em cursos para elevar sua capacidade profissional e seu nível de consciência política.
É necessário, colocando em ação o comitê fabril, controlar a gestão das fábricas e combater todas as tendências errôneas que nelas surgirem. Isto é, lutar resolutamente contra práticas nocivas como desperdiçar fundos estatais mediante gastos injustificados, desviar os alimentos dos operários e expropriar suas moradias para entregá-las aos preguiçosos.
É preciso deixar claro aos operários e empregados que hoje as fábricas são suas e que defendê-las e recuperar a indústria resultam em benefício do próprio país e de sua própria felicidade, bem como fazê-los lutar inexoravelmente contra as tendências de infringir a disciplina de trabalho. Dessa maneira, é preciso aumentar sem cessar a produtividade do trabalho e elevar a produção, superando todas as dificuldades. Todas as fábricas, empresas e organismos de transporte devem manter-se por sua própria gestão e proporcionar benefícios ao Estado, em vez de serem administrados com seu auxílio.
Os comitês populares de todos os níveis, abandonando o quanto antes a indiferença pela produção, devem realizar responsavelmente as tarefas de dirigir e controlar devidamente as fábricas e empresas, melhorar as condições de vida dos operários, aumentar a produtividade do trabalho e proteger as empresas industriais estatais.
O departamento e a seção de indústria terão de organizar o trabalho de maneira planejada, mostrar iniciativa para superar as dificuldades, coordenar e distribuir adequadamente a mão de obra e fornecer pontualmente as matérias-primas e os materiais.
Quinto, é necessário continuar consolidando no campo os êxitos da reforma agrária e desenvolver em ritmo acelerado a economia rural. Deve-se realizar sem perda de tempo a aração de outono e elaborar antecipadamente o plano de produção do próximo ano, fazendo desde já todos os preparativos, como animais de tração, sementes, implementos agrícolas e fertilizantes.
Sexto, é necessário elaborar uma política financeira unificada e planejada do Estado. As finanças constituem uma questão indispensável não apenas na gestão das fábricas e empresas, mas também na administração do Estado. Devemos superar a falta de planejamento e a confusão na gestão financeira surgidas após a libertação e equilibrar de maneira planejada as receitas e despesas segundo um orçamento determinado.
Deverá ser elaborada uma estatística correta das finanças do Estado e empreendidos esforços para aumentar a receita estatal.
Daqui em diante, o comércio exterior será submetido ao controle e à administração unificados do Estado. Até hoje, sofremos enormes perdas nesse domínio devido à falta de direção e administração estatal. No comércio exterior, as mãos dos especuladores se enchem de lucros suculentos. Como o comércio é realizado de maneira dispersa, em vários lugares ocorrem fenômenos intoleráveis, como a saída de nossos artigos de primeira necessidade e, em contrapartida, a entrada de mercadorias inúteis em nosso país.
No que diz respeito à arrecadação de impostos, a falta de planejamento e a irresponsabilidade dos funcionários encarregados causam atualmente graves danos às finanças estatais. Hoje, quando se aproxima o fim do ano, ainda não foi arrecadado mais do que 60% dos impostos. Atualmente, grandes somas de dinheiro não estão em circulação nos organismos financeiros do Estado, mas, ao contrário, encontram-se retidas nas mãos de particulares. Assim, os fundos que deveriam ser canalizados para a recuperação da indústria estão concentrados nas mãos de particulares, especialmente dos especuladores, o que provoca a elevação dos preços das mercadorias. Essa é uma das principais causas das dificuldades das finanças estatais.
Os comitês populares de todos os níveis, por meio de propaganda explicativa e diversos outros métodos, devem conseguir que os fundos privados inativos sejam investidos na recuperação industrial e depositados nos bancos. É preciso convocar o povo para um movimento patriótico de economia pela construção do Estado democrático; todos os organismos de administração e demais órgãos estatais e sociais devem empreender uma luta contra o desperdício. É preciso proibir todo tipo de despesa fora do orçamento e concentrar de maneira unificada toda a gestão financeira em seu órgão central, impondo rigorosas sanções legais às despesas ilícitas e às práticas de desperdício.
Sétimo, o comitê popular deve esforçar-se ainda mais pelo progresso da ciência, das artes e da cultura de nosso país e desenvolver rapidamente o trabalho educacional, eliminando os resíduos do imperialismo japonês que ainda sobrevivem nas instituições de educação popular. Aproveitando o período de menor atividade agrícola do inverno, deve-se empreender uma ampla campanha de alfabetização e prestar grande atenção à educação da população rural.
Os comitês populares devem dedicar grandes esforços à formação de quadros. É preciso estabelecer em diversos lugares escolas técnicas noturnas, escolas secundárias noturnas e, além disso, diversos centros de treinamento. Na atual construção democrática, a chave de todos os problemas está, em última instância, na questão dos quadros. Resolvê-la ou não constituirá um importante fator que determinará o êxito ou o fracasso de nosso trabalho. Isso é ainda mais importante no que diz respeito à formação de quadros técnicos. Se não conseguirmos formar os quadros nacionais em curto prazo, encontraremos grandes dificuldades em todos os domínios e não poderemos dar sequer um passo adiante. Os comitês populares devem dedicar enormes esforços à formação de quadros nacionais e, ao mesmo tempo, saber valorizá-los, conhecê-los e selecioná-los corretamente para colocá-los nos postos adequados.
Oitavo, os comitês populares deverão fortalecer e estreitar ainda mais a amizade e a colaboração com os países socialistas e todas as demais nações amantes da liberdade e da democracia, participando ativamente da luta pela paz mundial e pela segurança dos povos.
Tenho absoluta confiança de que nossos comitês populares cumprirão com êxito essas tarefas para a rápida constituição da república popular democrática unificada, exigência e objetivo que se impõem a todo o povo coreano.
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