A voz de condenação da comunidade internacional contra o Japão, que zomba do mundo exibindo sua característica desfaçatez, cresce a cada dia.
Recentemente, especialistas em direitos humanos da ONU expressaram profunda preocupação com o fato de as autoridades japonesas terem privado as chamadas “mulheres de conforto” de seus direitos de apurar a verdade e exigir reparação, e divulgaram uma declaração conjunta exigindo firmemente que o Japão apresente um pedido formal de desculpas, ofereça compensações suficientes e preserve os registros históricos nos livros didáticos.
Isso constitui um novo alerta da comunidade internacional de que o Japão jamais poderá escapar da responsabilidade por seus crimes de escravidão sexual.
Como é sabido, os japoneses perpetraram tais crimes de forma organizada e planejada, sob o envolvimento direto das autoridades políticas e militares.
Há cerca de 100 anos, após a guerra de agressão na Sibéria em 1918, as autoridades japonesas passaram a defender a lógica militar perversa de que “para preservar a capacidade de combate das tropas, é necessário satisfazer suas exigências sexuais”, e passaram a conspirar para introduzir o sistema de escravidão sexual no exército.
Assim, a partir da década de 1920, o imperialismo japonês se lançou em grande escala ao sequestro de mulheres de outros países e, durante todo o período da guerra de agressão, chegou a estabelecer o objetivo vergonhoso de designar uma escrava sexual para cada 29 soldados do chamado “exército imperial”, mobilizando todos os órgãos do poder estatal para implementar esse sistema.
E não foi apenas isso.
Documentos como “Assunto referente ao recrutamento de funcionárias para estações de conforto”, elaborado em março de 1938 pela seção jurídica do Ministério do Exército japonês; o “Decreto Imperial nº 300”, de março de 1942, sobre a reorganização da estrutura do Ministério do Exército para tratar dos assuntos das chamadas “estações de conforto”; e o telegrama de guerra de 12 de março de 1942, no qual o então comandante das forças japonesas estacionadas na Manchúria solicitava ao primeiro-ministro Tojo o envio de pessoal necessário para a gestão das escravas sexuais, comprovam claramente que esses crimes foram cometidos com caráter estatal.
As maiores vítimas desses crimes de escravidão sexual cometidos pelos reacionários japoneses foram, sem dúvida, nossas mulheres.
O Japão, brandindo diversas leis fascistas como a “Lei de Mobilização Geral do Estado” (1938) e a “Ordem do Corpo de Voluntárias” (1944), mobilizou não apenas órgãos administrativos, mas também a polícia militar e o exército, capturando mulheres indiscriminadamente em ruas e campos e até mesmo invadindo aldeias durante a noite para sequestrá-las.
O número de vítimas chegou a cerca de 200 mil, incluindo mulheres casadas com menos de 40 anos, gestantes e mães com bebês, bem como meninas ainda adolescentes, de apenas 12 ou 13 anos.
Essas inúmeras mulheres foram levadas à força para zonas de guerra, onde foram brutalmente abusadas como objetos do “exército imperial” e, por fim, muitas foram assassinadas — um crime hediondo contra a humanidade.
Em 2018, foi divulgado um vídeo que registrava o local onde o exército japonês assassinou brutalmente mulheres coreanas submetidas à escravidão sexual em 15 de setembro de 1944, na província de Yunnan, na China, chocando o mundo.
Apesar de terem cometido crimes contra a humanidade sem precedentes, impossíveis de serem imaginados pela razão humana, os reacionários japoneses continuam tentando, de todas as formas, enterrá-los para sempre na escuridão da história.
Quando se aproximava a derrota, sob ordens das autoridades militares e do vice-ministro do Interior, registraram as escravas sexuais como “assistentes de enfermagem” e destruíram completamente registros oficiais e documentos relacionados.
Além disso, eliminaram dos livros didáticos do ensino secundário todas as referências a esses crimes, chegando ao ponto de insultar gravemente as vítimas ao descrevê-las como “prostitutas” ou “voluntárias que buscavam ganhar dinheiro”.
Por mais que os reacionários japoneses tentem inverter os fatos e escapar da responsabilidade por seus crimes contra as vítimas da escravidão sexual, a história desses crimes jamais poderá ser apagada ou distorcida, e, ao contrário, continuará sendo exposta diante do olhar cada vez mais atento da comunidade internacional.
O Japão jamais poderá escapar da responsabilidade por seus crimes de escravidão sexual — resta-lhe apenas o acerto de contas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário