sábado, 21 de março de 2026

A crescente poluição branca e os movimentos internacionais para superá-la

O termo “poluição branca” é utilizado mundialmente há muito tempo.

Refere-se à poluição ambiental causada por resíduos de plástico. Como muitos desses resíduos apresentam cor branca, passou a ser chamada assim.

Em escala global, o problema da poluição branca, ou seja, da poluição por resíduos plásticos, vem sendo levantado de forma cada vez mais grave.

Não por acaso, o tema do Dia Mundial do Meio Ambiente no ano passado foi definido como “Combater a poluição por plásticos”.

Os plásticos vêm sendo amplamente utilizados desde a década de 1940 na produção de diversos bens de uso cotidiano, materiais isolantes, materiais de construção, filmes agrícolas e embalagens. Entre 1950 e 2016, a produção total de produtos plásticos atingiu 8,3 bilhões de toneladas.

Dessa quantidade, 6,3 bilhões de toneladas tornaram-se resíduos. Estima-se que esse número aumente para 12 bilhões de toneladas até 2050.

Por serem geralmente leves, os resíduos plásticos são facilmente levados pelo vento, causando desordem no meio ambiente. Quando enterrados no solo, prejudicam o crescimento das culturas agrícolas, reduzindo a produtividade. Muitos animais ingerem fragmentos de plástico ao confundi-los com alimento, adoecendo ou morrendo.

A poluição causada por resíduos plásticos manifesta-se de forma mais grave nos oceanos.

Hoje, os mares transformaram-se em enormes reservatórios de resíduos plásticos.

Diz-se que, se todos os fragmentos plásticos flutuantes fossem conectados, poderiam dar várias voltas ao redor da Terra. Navios enfrentam dificuldades de navegação devido ao acúmulo de plásticos que se enroscam nas hélices.

Especialistas apontam que há, no fundo do mar, uma quantidade de resíduos plásticos cem vezes maior do que aquela que flutua na superfície. O alerta de que, sem medidas eficazes, até 2050 haverá mais plástico do que peixes nos oceanos não é exagerado.

Diversos métodos vêm sendo aplicados no mundo para evitar os danos causados por esses resíduos.

Inicialmente, optou-se pela incineração em fornos. No entanto, isso gerava grande quantidade de gases tóxicos, poluindo a atmosfera. Ou seja, a tentativa de eliminar a poluição plástica acabou provocando poluição do ar.

Posteriormente, passou-se a adotar o enterramento em locais profundos, mas esse método também apresentou problemas. Os resíduos plásticos não se decompõem facilmente, podendo levar mais de 150 anos para isso. Além disso, quando começam a se decompor, liberam gases tóxicos que contaminam o solo.

Atualmente, a reciclagem e reaproveitamento dos resíduos plásticos tornaram-se uma via importante para resolver o problema da poluição branca, e muitos avanços vêm sendo alcançados nessa área.

Recentemente, em um país, foi desenvolvida uma tecnologia para produzir materiais de carbono nanoestruturados porosos, destinados a baterias de veículos elétricos, a partir de resíduos plásticos.

Embora a capacidade dessas baterias não supere a das baterias de íon-lítio, sua velocidade de carregamento é muito mais rápida.

Também foi desenvolvido um novo catalisador capaz de converter diversos tipos de resíduos plásticos em uma única substância, o propano. Trata-se de um catalisador com estrutura cristalina porosa contendo zeólita e nanopartículas de cobalto, capaz de processar todos os tipos de plásticos.

Experimentos confirmaram que cerca de 80% dos resíduos plásticos podem ser convertidos em propano, que pode ser utilizado como combustível ou como matéria-prima para novos produtos plásticos.

Uma nova tecnologia de tratamento microbiano, que utiliza bactérias para transformar resíduos plásticos em uma espécie de “teia de aranha” biodegradável, também vem chamando atenção.

Nesse método, o polietileno é aquecido sob pressão para sofrer decomposição e polimerização, produzindo uma substância flexível semelhante à cera. Em seguida, bactérias consomem esse material e produzem a “teia”.

Essa “teia” é semelhante à seda, possui resistência próxima à do aço e, ao mesmo tempo, é muito leve. Além disso, trata-se de um tipo de bioplástico com excelentes propriedades, sendo flexível, não tóxico e biodegradável.

Também foi desenvolvido um método para produzir sabão a partir de resíduos plásticos, e pesquisas estão em andamento para sua aplicação em escala industrial.

Outra pesquisa bem-sucedida consiste em utilizar a umidade do ar para converter rapidamente resíduos plásticos em matéria-prima para a produção de novos plásticos, sendo considerada altamente eficiente por não exigir catalisadores caros.

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