sexta-feira, 20 de março de 2026

O “ideal de paz” do Japão foi enterrado

O Japão está se empenhando em implantar operacionalmente nas chamadas “Forças de Autodefesa” mísseis de longo alcance voltados contra os países vizinhos.

Recentemente, lançadores do míssil guiado superfície-navio Tipo 12 foram introduzidos em uma base das Forças Terrestres de “Autodefesa” na cidade de Kumamoto. Diz-se que a implantação desse míssil será concluída ainda neste mês. No próximo ano, planeja-se também equipá-lo em caças das Forças Aéreas de “Autodefesa”.

O míssil guiado superfície-navio Tipo 12 foi modificado pelo Japão, que há alguns anos vem ampliando seu alcance para cerca de cinco vezes o original, atingindo 1.000 km, além de permitir seu lançamento não apenas a partir de terra, mas também de navios e aeronaves. Além disso, pretende-se equipar o destróier Aegis “Chokai”, das Forças Marítimas de “Autodefesa”, atualmente em processo de modificação nos Estados Unidos, com mísseis de cruzeiro “Tomahawk” de fabricação estadunidense, com alcance de cerca de 1.600 km.

A verdadeira intenção do Japão, que alardeia de forma insistente a “ameaça” dos países vizinhos, revela-se novamente de forma evidente por meio da implantação operacional desses mísseis de longo alcance.

Em conclusão, trata-se de uma tentativa de realizar a qualquer custo a ambição de se tornar uma potência militar e, quando necessário, não hesitar em entrar em confrontos militares com países vizinhos, chegando até mesmo à guerra.

A chamada posse da “capacidade de contra-ataque”, embelezada pela atual força governante de extrema direita como algo necessário para a “legítima defesa”, é, em essência, a garantia de capacidade de ataque preventivo, enquanto a constante retórica sobre “ameaças do entorno” nada mais é do que um pretexto para encobrir a crescente ambição de militarização e de nova agressão.

O Japão tem afirmado em diversos documentos de segurança, incluindo o Livro Branco de Defesa, que os países vizinhos constituem uma “ameaça grave e iminente”, ao mesmo tempo em que menciona ataques preventivos.

Em 2022, quando o governo Kishida tentou estabelecer três novos documentos de política de segurança, incluindo a nova Estratégia de Segurança Nacional, o líder do Partido Democrático Constitucional se opôs e, em um discurso público, afirmou que o Japão estava gradualmente caminhando para uma direção perigosa, advertindo que “a paz de vocês também poderá ser destruída um dia”.

No dia seguinte à adoção desses documentos, o jornal Tokyo Shimbun criticou, questionando se o primeiro-ministro Kishida poderia ainda afirmar com confiança que “o Japão é um país pacífico” após uma mudança tão significativa na política de segurança. Analistas sustentaram que essa decisão significava o abandono completo do princípio de “defesa exclusiva” e a renúncia ao ideal pacifista da Constituição.

Mais de três anos se passaram desde então.

O Japão, além de desenvolver diversos mísseis de longo alcance, está empenhado em estabelecer um sistema “integrado de defesa aérea e antimísseis” operado em conjunto com as forças armadas dos Estados Unidos. A aliança militar Japão-EUA evoluiu de uma divisão de papéis em que os Estados Unidos eram a “lança” e o Japão o “escudo” para uma estrutura em que ambos desempenham simultaneamente essas funções.

As “Forças de Autodefesa”, tendo em vista a implantação operacional de mísseis de longo alcance, já realizaram em fevereiro exercícios conjuntos com as forças estadunidenses no Japão, simulando “um ataque de um país inimigo” e treinando ataques a bases de lançamento de mísseis do adversário. Isso equivale, na prática, a uma declaração de disposição para participar abertamente de uma guerra de agressão.

A opinião pública internacional acompanha com vigilância o fato de que o antigo hábito do militarismo japonês de fabricar incidentes provocativos, como o Incidente de 18 de setembro, atribuir a responsabilidade a outros e iniciar guerras, está ressurgindo de forma ainda mais grotesca na era do novo militarismo.

A realidade atual comprova que, devido às forças de extrema direita presentes na política japonesa, o “ideal pacifista” contido na Constituição foi enterrado no túmulo da história.

A atual força governante de extrema direita, que abandonou o princípio de “defesa exclusiva” e substituiu os “três princípios de exportação de armas” pelos “três princípios de transferência de equipamentos de defesa”, está agora tentando elaborar novos documentos para expandir ainda mais a exportação de armamentos ofensivos ainda este ano.

O “ideal pacifista” do Japão está consagrado no Artigo 9 da Constituição, que menciona a renúncia à guerra e à posse de forças militares. No entanto, hoje esse artigo permanece apenas como uma peça de propaganda destinada a encobrir a verdadeira face de um Estado voltado para a guerra.

Embora possa ser ocultada por certo tempo, a natureza agressiva — o instinto do militarismo japonês — inevitavelmente se revela.

Se o Japão considera a atual conjuntura internacional, marcada por instabilidade e transformações, como uma oportunidade favorável para a expansão do novo militarismo, trata-se de um grave erro de cálculo.

O problema é que as forças governantes de extrema direita, obcecadas pela militarização e pela realização de ambições expansionistas, não conseguem compreender que o enterro do “ideal pacifista” levará inevitavelmente ao próprio colapso do Japão enquanto Estado.

Kim Su Jin

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