terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

As contradições e os conflitos do mundo ocidental que vêm à tona

As contradições e os confrontos entre os Estados Unidos e os países ocidentais estão vindo à tona.

Há pouco tempo, no Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, na Suíça, travou-se um intenso embate de acusações entre os Estados Unidos e os países ocidentais em torno da questão da Groenlândia.

A manifestação de posição dos Estados Unidos, marcada por descontentamento e críticas aos países aliados — afirmando que a Europa está se autodestruindo, que os Estados Unidos sacrificaram muito pela OTAN, mas receberam em troca compensações muito reduzidas — provocou imediatamente a antipatia dos países ocidentais.

Uma alta autoridade da Comissão Europeia declarou que a soberania da Dinamarca e da Groenlândia deve ser respeitada e que essa questão é extremamente importante para as relações transatlânticas. Ao mesmo tempo, rebateu afirmando que as ameaças tarifárias dos Estados Unidos estão prejudicando os interesses comuns.

O primeiro-ministro do Canadá também declarou que está firmemente ao lado da Groenlândia e da Dinamarca e que apoia plenamente o direito exclusivo que eles detêm de decidir sobre o futuro da Groenlândia.

O presidente da França afirmou que o direito internacional está sendo ignorado em várias partes do mundo e classificou a tentativa dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia como uma expressão de “ambição imperialista”.

No fórum, o primeiro-ministro da Bélgica fez declarações que expuseram de forma crua a natureza essencial das relações Estados Unidos–Europa, caracterizadas por uma relação de senhor e vassalo, chamando a atenção dos países participantes.

Uma revista europeia na internet noticiou isso detalhadamente.

A revista descreveu que o primeiro-ministro belga, ao mencionar “vassalos felizes e escravos miseráveis”, afirmou que as relações Estados Unidos–Europa não são uma aliança entre iguais, mas uma relação de subordinação estrutural. Avaliou ainda que suas declarações não foram mera retórica, mas uma confissão histórica de que terminou a ilusão mantida pela Europa por décadas.

Prosseguindo, a revista afirmou que a Europa esteve mais próxima de um vassalo dentro de uma ordem feudal dependente da segurança fornecida pelos Estados Unidos; que, embora a OTAN seja formalmente uma aliança de Estados soberanos, é impossível opor-se frontalmente à realização dos interesses centrais dos Estados Unidos; que a Europa, por décadas, se autoproclamou defensora da ordem internacional baseada em regras, mas que essa ordem é um sistema no qual as grandes potências aplicam seletivamente apenas as regras que lhes são favoráveis, sendo um instrumento para legitimar relações de dominação e subordinação.

Afirmando que a disputa pela Groenlândia é um caso decisivo que revela essa realidade, a revista enfatizou o seguinte:

“Diante da exigência dos Estados Unidos por controle sobre a Groenlândia, a Europa oscila entre a indignação e o sentimento de impotência. Desmoronaram a crença de que a Europa é igual aos Estados Unidos, a crença de que o direito internacional funciona independentemente da força, e a crença de que é possível uma soberania plena sem poder militar. A Europa sempre foi dependente em sentido pleno e apenas chamou isso de ‘parceria’. Esta é a dura realidade.”

Quando vários países se levantaram contra a posição dos Estados Unidos de anexar a Groenlândia, os Estados Unidos anunciaram que reduziriam drasticamente o número de pessoal nos órgãos relacionados à OTAN e diminuiriam sua participação nas atividades de grupos consultivos da OTAN e centros de treinamento.

Em resposta, a França, apesar dos alertas dos Estados Unidos, exigiu que a OTAN realizasse exercícios conjuntos na Groenlândia. O Canadá realizou, pela primeira vez em cem anos, um exercício simulado para repelir um ataque militar dos Estados Unidos. Um fundo dinamarquês anunciou que liquidaria títulos da dívida pública dos Estados Unidos.

Anteriormente, o presidente da França, o primeiro-ministro do Canadá e outras autoridades de vários países declararam que não podem aceitar uma ordem mundial decidida por pessoas que se vangloriam de deter a maior voz ou a força militar mais poderosa, afirmando que a “velha ordem baseada em regras” chegou ao fim e não será ressuscitada.

Un Jong Chol

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