Jong Son (1676–1759), um dos pintores realistas de paisagens que representaram a pintura coreana do final do século XVII e do século XVIII, certa vez fez uma viagem ao Monte Kumgang.
Ele retratou as belas paisagens de Manpokdong, Kuryongyon, Samilpho e Kumgang Marítimo em dezenas e centenas de pinturas. As paisagens que pintou eram tão vívidas que pareciam ter transportado o próprio Monte Kumgang para as telas.
Certo dia, aconteceu o seguinte.
Uma mulher que morava na casa vizinha de Jong Son enviou uma saia de seda para sua esposa. Porém, como se não bastasse o contratempo, enquanto a esposa a estendia no quarto, acidentalmente derramou sobre ela uma tigela de sopa de carne, deixando a bela saia de seda muito manchada. A esposa ficou profundamente preocupada e começou a chorar.
Jong Son, que apenas sorria sem dizer nada, pediu à esposa que enxugasse as lágrimas, que imediatamente desfizesse a saia, estendesse as partes amassadas e lavasse as áreas manchadas.
A esposa rapidamente seguiu as palavras do marido.
Depois que a saia de seda secou, Jong Son estendeu no quarto os três pedaços de seda que sua esposa havia preparado. Então colocou o pincel sobre a seda. Sua esposa tentou impedi-lo, perguntando o que, afinal, ele pretendia fazer. Mas Jong Son, sem se importar, começou a mover livremente o pincel.
Pouco depois, sobre o pedaço de seda que havia sido manchado com gordura, surgiu uma grande pintura do Monte Kumgang.
A pintura era tão vívida e delicada que parecia ter transportado por inteiro os 12.000 picos e vales do Monte Kumgang, sem deixar nenhum de fora, e era de uma beleza deslumbrante.
Jong Son pintou o Monte Kumgang também nos outros dois pedaços de seda, e todos eram extraordinariamente belos. Eram dignos de se tornar tesouros incomparáveis.
Depois disso, a dona da saia de seda veio buscá-la.
Jong Son lhe disse, preocupado: “Eu estava justamente tomado por um grande desejo de pintar e, por acaso, soube que a saia de seda de sua casa estava aqui em nossa casa, então transferi para ela os 12.000 picos do Monte Kumgang.” Então trouxe as pinturas e as mostrou a ela.
A dona da saia de seda exclamou: “Isto é um tesouro inestimável do mundo!”, e agradeceu repetidamente. Depois de levar as pinturas para sua casa, preparou uma farta mesa de comida e ofereceu-a a Jong Son como agradecimento.
Entre as três pinturas em seda, ela usou a maior para decorar a casa como um tesouro familiar e levou as outras duas consigo quando, por coincidência, viajou para Yanjing (atual Pequim).
As pinturas do Monte Kumgang que Jong Son havia feito sobre a seda da saia acabaram chegando, pelas mãos de alguém, a uma casa de chá.
Por acaso, um monge da província de Sichuan, que havia ido justamente para comprar uma pintura, viu aquela obra e não poupou elogios, dizendo que era extraordinariamente bem pintada.
O monge disse:
“Acabamos de construir um novo templo e gostaríamos de colocar esta pintura atrás da imagem de Buda. Embora seja uma oferta modesta, o que acha de vendê-la por 100 nyang de prata?”
Nesse momento, porém, um estudioso vindo de Nanjing insistiu que lhe vendesse a pintura, dizendo que pagaria 20 nyang a mais sobre os 100 nyang.
Então o monge ficou furioso. Repreendeu o estudioso, dizendo que já havia estabelecido o preço e decidido comprá-la, e que uma pessoa que se dizia estudioso estava agindo sem qualquer consideração pelas regras de conduta. Sem hesitar, colocou 150 nyang de prata sobre a mesa.
Entretanto, o dono da pintura disse: “Respeito alguém como o senhor, que sabe reconhecer tão bem o valor de uma pintura. Do senhor, monge, aceitarei apenas 50 nyang.” E entregou a pintura ao monge.
Naenara

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