Discurso de encerramento do camarada Kim Il Sung na IX Reunião do Comitê Central da Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte
11 de janeiro de 1947
Na reunião de hoje deliberamos sobre as eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro). Como foram apresentadas muitas boas opiniões para assegurar o êxito das eleições, gostaria de me referir sucintamente apenas a alguns problemas.
1. Sobre o fortalecimento da Frente Unida Nacional Democrática
O representante do Partido Democrático fez, na reunião, uma autocrítica das deficiências que apareceram no passado no trabalho de seu partido para fortalecer a Frente Unida Nacional Democrática e, de fato, alguns dos partidos integrantes dessa Frente recorreram a práticas erradas quando foram realizadas as eleições de 3 de novembro do ano passado. Creio que a causa disso reside na compreensão insuficiente que alguns membros das organizações de base desses partidos têm a respeito das eleições.
Antes, durante o prolongado domínio colonial do imperialismo japonês, nosso povo apenas ouviu falar de eleições de caráter capitalista realizadas por diversos partidos políticos que disputavam entre si, e não teve qualquer oportunidade de conhecer verdadeiras eleições democráticas. Por isso, ainda hoje existem não poucas pessoas que acreditam que, mesmo sob o nosso regime, as eleições só são verdadeiras quando são acompanhadas por disputas partidárias.
Por ocasião das eleições de 3 de novembro do ano passado, alguns quadros do Partido Democrático, guiados por essa concepção errada sobre as eleições, abriram as portas de seu partido sem respeitar princípios e admitiram indiscriminadamente qualquer pessoa, com o objetivo de ampliar sua influência nos órgãos do poder. Essa atitude desses quadros do Partido Democrático influenciou outros partidos políticos. Ao verem que as organizações desse partido aumentavam seu número de membros, algumas organizações locais do Partido do Trabalho e do Partido Chongu também passaram a aumentar sua militância por competição.
Um partido democrático deve ser, naturalmente, a vanguarda da classe que representa. Se um partido admitir irrefletidamente qualquer pessoa como membro, como se fosse uma cooperativa e com mais facilidade do que para ingressar nas organizações sociais, não apenas deixará de desempenhar o papel de vanguarda, como também permitirá que elementos nocivos se infiltrem em seu interior aproveitando essa oportunidade.
Durante as eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados, houve em Pyongyang Oeste um membro do Partido Democrático que fez propaganda para que a cédula de votação fosse depositada na urna preta. Evidentemente, indivíduos como esse não são verdadeiros membros do Partido Democrático, mas reacionários infiltrados em seu interior sob a máscara de patriotas.
Agora, como foi possível que esse elemento reacionário se infiltrasse no Partido Democrático? Isso ocorreu porque suas organizações de base ampliaram repentinamente e de forma excessiva o número de seus membros.
Como já enfatizamos em várias ocasiões, todos os partidos devem expulsar, sem exceção, os reacionários infiltrados em seu interior. Na sessão de hoje, o representante do Partido Democrático propôs expulsar impiedosamente das suas fileiras os elementos espúrios, o que considero muito justo. Atualmente, o Partido do Trabalho está lutando para expulsar de suas fileiras os elementos negativos por meio de uma verificação de seus membros. Todos os partidos devem aproveitar a oportunidade oferecida pelas atuais eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro) para intensificar o trabalho destinado a expulsar de seu interior os elementos espúrios infiltrados, de modo que nem um único deles permaneça em suas fileiras. Somente assim poderemos consolidar ainda mais a FUND e, com forças unidas e coesas, cumprir com êxito todas as tarefas democráticas que temos pela frente e construir um Estado democrático plenamente soberano e independente, rico e poderoso.
Quanto àqueles que procuram minar intencionalmente a FUND, nós os consideraremos inimigos da nação, independentemente das razões que apresentem. Todos os partidos e organizações sociais devem intensificar a educação para fazer com que todos os seus membros, inclusive os das organizações de base, compreendam profundamente o importante significado que essa Frente possui para a construção de uma nova Coreia democrática.
2. Sobre o método de indicação dos candidatos
Alguns indivíduos, ao verem agora que os Regulamentos das Eleições para Membros dos Comitês Populares de Cantão e Comuna (ou Bairro) atribuem à assembleia geral dos eleitores a competência de recomendar os candidatos, afirmam como se apenas estas eleições fossem progressistas e democráticas, o que é um julgamento equivocado. O método de indicação de candidatos pela FUND, utilizado por ocasião das eleições anteriores para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados, também era progressista e democrático. O problema reside apenas no fato de que, em algumas regiões, ele foi aplicado de forma incorreta. Em certas localidades, como seus dirigentes consideravam erroneamente a FUND como algo pertencente apenas aos poucos membros de seus comitês e não como uma frente baseada nas amplas massas populares de todas as classes e camadas, reuniram apenas alguns membros dos comitês dessa Frente, indicaram, segundo seu próprio critério, os nomes dos candidatos aos comitês populares das províncias, cidades e condados e os impuseram à força ao povo. Isso foi uma atitude extremamente injusta.
Em geral, a indicação de candidatos aos comitês populares das províncias, cidades e condados é realizada por unidade de uma ampla área regional; por isso, os eleitores não sabem bem quem seria adequado. Assim, para indicar candidatos, reúnem-se primeiro os representantes dos partidos e das organizações sociais que conhecem profundamente a realidade da região e orientam a população local, deliberando suficientemente até alcançar unanimidade quanto às pessoas dignas de serem recomendadas como candidatos aos comitês populares. Depois, em vez de apresentá-las arbitrariamente como candidatos, procuram torná-las conhecidas do povo. A FUND convoca uma reunião de ativistas, explica que foi acordado por unanimidade apresentar fulano e sicrano como candidatos nas próximas eleições para membros dos comitês populares e pergunta a opinião deles, ou seja, ao apresentar os candidatos, ouve a opinião do povo. Se todos os ativistas aprovarem por unanimidade os candidatos apresentados pela FUND, convoca então uma assembleia de eleitores para indicar os candidatos aos comitês populares. Por meio do trabalho perseverante dos ativistas, realiza-se nessa assembleia um trabalho suficiente de divulgação e propaganda sobre os candidatos apresentados pela FUND e, com a aprovação dos eleitores, decide-se indicá-los como candidatos aos comitês populares.
Como esse método não haveria de ser um método progressista e democrático de indicação de candidatos aos comitês populares? A democracia não é, de forma alguma, anarquia. Repito que a indicação incorreta de candidatos em algumas regiões, às vésperas das eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados, foi consequência do mau trabalho dos dirigentes, e não de que o método de indicação de candidatos pela FUND fosse injusto. Por ocasião das eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro), é necessário esclarecer isso claramente ao povo.
3. Sobre a indicação de candidatos a membros dos comitês populares de comuna (ou barrio)
Diferentemente das eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados, nas eleições para membros dos comitês populares de comuna (ou bairro), os candidatos são recomendados diretamente na reunião dos eleitores, porque não há necessidade de que a FUND decida e apresente deliberadamente os candidatos, uma vez que estes são muito bem conhecidos pelos eleitores. Os eleitores sabem exatamente, por meio de sua vida prática e experiência, quem é realmente digno de confiança e quem pode trabalhar com entusiasmo em prol de seus interesses. O povo não é estúpido nem ignorante. Por mais que alguém se empenhe em recomendar determinado candidato, o povo de modo algum votará a seu favor se isso contrariar sua vontade.
Então, quem deve ser recomendado como candidato a membro do comitê popular?
Devem ser recomendados como candidatos os de maior prestígio na comuna (ou bairro). Pessoa de prestígio não é aquela preguiçosa que, no campo, vive às custas dos camponeses fazendo-se passar por cavalheiro sem o ser, mas aquela que seja capaz de representar da maneira mais completa os interesses dos camponeses. Em resumo, devem ser escolhidas como candidatas a membros do comitê popular de comuna (ou bairro) as pessoas mais progressistas e competentes do meio rural. Devemos indicar como candidatos os ativistas profundamente interessados nas reformas democráticas. Não apenas na comuna, mas também no cantão, é preciso realizar com seriedade a indicação de candidatos aos comitês populares.
Nas próximas eleições não deve ocorrer que sejam indicadas como candidatas pessoas que não demonstram qualquer interesse pelas eleições democráticas, como aconteceu em algumas regiões durante as eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados. Nessas eleições, realizadas em 3 de novembro do ano passado, em certa região foi recomendado como candidato a membro do comitê popular um sacerdote, sem que antes se verificasse sua vontade, e inclusive na província de Hwanghae foi proposto um sacerdote que nem sequer queria participar das eleições. Que necessidade há de recomendar tais pessoas como candidatas a membros dos comitês populares? Nas eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro), todos os partidos devem abandonar a tendência egocêntrica de indicar cegamente qualquer pessoa como candidata apenas por ser membro de seu partido, e indicar pessoas que possam dedicar-se com verdadeira abnegação ao povo, tomando rigorosamente como critério principal sua personalidade e sua capacidade.
4. Sobre a necessidade de indicar muitas mulheres como candidatas
É necessário prestar atenção ao problema de indicar muitas mulheres como candidatas nas eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro). Isso tem um significado muito importante.
Nas eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados do ano passado, a proporção de mulheres representou mais de 13% do número total de membros eleitos. Além disso, durante o processo eleitoral, elas participaram da campanha com tanto entusiasmo quanto os homens e contribuíram em grande medida para a vitória.
Hoje, o fervor patriótico de nossas mulheres cresce cada vez mais. Isso pode ser constatado em muitos aspectos. Um exemplo é o fato de que, graças aos seus esforços, a fisionomia das ruas muda dia após dia. É preciso fazer com que todas elas desenvolvam ao máximo seu fervor patriótico.
Em particular, tendo em vista o desenvolvimento do campo, é imprescindível indicar o maior número possível das melhores mulheres como candidatas. Naturalmente, podem surgir várias dificuldades para atingir esse objetivo, mas devemos concretizar essa orientação custe o que custar.
5. Sobre a intensificação da propaganda eleitoral
Um dos problemas mais importantes a resolver nas próximas eleições consiste em desenvolver um frutífero trabalho de propaganda. Devemos intensificá-lo entre as massas de todas as classes e camadas, particularmente entre os cristãos. Ainda existem entre as massas algumas pessoas que se comportam de maneira errada, enganadas pela demagogia dos sacerdotes reacionários. Nossos dirigentes devem fazer com que os cristãos e os camponeses compreendam claramente quem lhes deu a terra. Devem convencê-los claramente, com fatos concretos, de que “Deus” não lhes deu sequer um palmo de terra, por mais que os sacerdotes o invocassem, mas que somente o Poder Popular pôde lhes dar a terra e que eles serão verdadeiramente felizes quando confiarem no comitê popular e o apoiarem.
Isso de modo algum significa que as crenças religiosas sejam proibidas na Coreia do Norte. No entanto, não podemos permitir que os sacerdotes reacionários promovam maquinações hostis abusando da religião. Foram precisamente esses sacerdotes que, nas províncias de Hamgyong Sul e Kangwon, exigiram: “A terra deve ser devolvida aos proprietários de terras!” “Façam novamente a reforma agrária!” Devemos desmascarar completamente as tentativas dos sacerdotes reacionários de restaurar, sob o rótulo da religião, o poder dos proprietários de terras que oprimem e exploram impiedosamente os camponeses, e de retirar as terras dos camponeses para devolvê-las aos proprietários. Utilizando as experiências da vida prática e dados concretos, devemos mostrar claramente aos cristãos e aos camponeses que eles não devem seguir o caminho errado acompanhando os sacerdotes reacionários, mas marchar pelo caminho da soberania e da independência, da construção de um país do povo, rico, poderoso e feliz.
No trabalho de propaganda não são necessárias nem o exagero nem a mentira. Basta explicar às massas populares os fatos tal como são. Nossos camponeses não são estúpidos. Em particular, por meio das experiências práticas vividas durante o ano passado sob o verdadeiro Poder Popular, eles chegaram a compreender tudo perfeitamente. Os camponeses têm em suas mãos o certificado que comprova, para cada um deles, a condição de proprietário da terra, e no pátio de suas casas podem contemplar os altos montes de cereais como confirmação de que agora são precisamente os donos dos produtos agrícolas que colheram. Portanto, os camponeses nos apoiam e sustentam com respeito o nosso Poder Popular.
A propaganda deve ser realizada ativamente com palavras compreensíveis para a população do campo e com base em dados concretos. Para isso, é preciso selecionar pessoas adequadas como propagandistas. E é necessário levá-las a agir não cada uma por conta própria, mas de forma organizada e a desenvolver atividades de propaganda de maneira unificada. Se constituímos o comitê de propaganda eleitoral, foi para assegurar a organização e a unidade do trabalho de propaganda. Todos os partidos políticos e organizações sociais devem indicar como propagandistas muitos de seus melhores membros, e o Centro, por sua vez, educá-los adequadamente e enviá-los às localidades.
6. Sobre o horário da votação nas eleições para membros dos comitês populares de cantão e comuna (ou bairro)
Um dos assuntos importantes para assegurar o êxito das eleições é estabelecer corretamente o horário. Como o número de candidatos nas eleições para membros do comitê popular de comuna (ou bairro) é elevado, os eleitores terão de votar várias vezes. Se o número de candidatos for sete, a votação durará muito tempo, porque cada eleitor terá de votar sete vezes. Portanto, a comuna (ou bairro) deve organizar bem a votação com base em um cálculo preciso do tempo.
7. Sobre os fundos eleitorais
É necessário economizar nas despesas eleitorais. Nas eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados houve desvios de recursos. Há regiões em que foram gastos valores excessivos com despesas eleitorais. Embora seja inevitável realizar os gastos indispensáveis, não se deve desperdiçar os recursos com despesas inúteis. Desta vez é preciso elaborar corretamente o orçamento, de modo que as despesas eleitorais sejam apenas as necessárias e, sobretudo, que não sejam repassadas aos camponeses. Atualmente, a população rural carrega muitos encargos. Segundo o relatório de um inspetor, na província de Hamgyong Norte estão sendo impostos aos camponeses diversos tributos adicionais além dos impostos estabelecidos pelo Estado. Já insistimos em mais de uma ocasião que não se devem impor aos camponeses encargos financeiros adicionais, com exceção dos impostos fixados por decisão do Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte. Tendo isso em mente, deve-se fazer com que, nas próximas eleições, de forma alguma se chegue à prática de impor-lhes despesas eleitorais.
Por fim, para triunfar nas próximas eleições, enfatizo mais uma vez a necessidade de corrigir sem falta as deficiências que apareceram nas eleições para membros dos comitês populares das províncias, cidades e condados, eliminar completamente os elementos negativos, realizar vigorosamente a propaganda e intensificar o trabalho de direção.

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