quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Um cenário brutal e cheio de sangue revelado pelos tiroteios

No mundo ocidental, mesmo em tempos de paz e não de guerra, marchas fúnebres ressoam incessantemente devido a tiroteios sangrentos que ocorrem de forma repentina.

Somente no final do ano passado, crimes com armas de fogo se sucederam em vários países. Em 3 de dezembro, ocorreu um tiroteio indiscriminado com armas de fogo no estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, e dois dias depois um novo incidente semelhante aconteceu em outro estado.

Nos dias 9 e 14 de dezembro, nos estados norte-americanos do Kentucky e de Nova Iorque, várias pessoas ficaram feridas após serem atingidas por disparos efetuados por criminosos armados.

Em 30 de dezembro, dois dias antes do Ano-Novo, na província de Saskatchewan, no Canadá, um crime com armas de fogo resultou na morte de uma pessoa e deixou três feridas. Moradores locais que se preparavam para as festividades de fim de ano correram em pânico à procura de abrigo, gerando grande confusão.

A avaliação predominante da maioria dos meios de comunicação e especialistas do Ocidente é que a violência armada é ao mesmo tempo causa e consequência da desigualdade estrutural. Em termos concretos, trata-se do produto de políticas discriminatórias e do efeito colateral da polarização política que se aprofunda dia após dia.

Nenhum país se compara aos Estados Unidos no número de crimes com armas de fogo.

Dados divulgados recentemente indicam que, ao longo de 2025, o número de mortos e feridos em decorrência de crimes com armas de fogo nos Estados Unidos chegou a cerca de 40 mil pessoas. Os mortos foram 14.600 e os feridos aproximadamente 26.100, o que significa que, todos os dias, cerca de 110 pessoas se tornaram vítimas de crimes com armas.

No ano passado, nesse país, ocorreram cerca de 400 incidentes de tiroteios em grande escala, nos quais pelo menos quatro pessoas morreram ou ficaram feridas de uma só vez.

Tiroteios em escolas também aconteceram com frequência. Notícias de professores e estudantes que perderam a vida em ataques armados dentro de instituições de ensino apareciam repetidamente nos meios de comunicação.

Entre estudantes e pais, mochilas com placas à prova de balas passaram a fazer sucesso, e várias empresas competem entre si para produzir esse tipo de produto e lucrar com ele, criando uma situação tão absurda quanto lamentável.

Um sistema social apodrecido, onde proliferam o ódio extremo ao ser humano e o individualismo, transforma até os ambientes escolares em campos de batalha manchados por balas e sangue.

Um jovem que sobreviveu por milagre a um tiroteio em massa ocorrido alguns anos atrás em uma escola secundária da Califórnia afirmou que ainda sofre com os pesadelos daquela época e clamou para que os estadunidenses não passem a aceitar os tiroteios em massa como algo cotidiano.

Alguns anos atrás, o Grupo Eurasia dos Estados Unidos colocou a divisão política estadunidense no primeiro lugar entre os chamados dez principais riscos globais. Além disso, uma revista estadunidense avaliou que, devido a diversos fatores internos, poderia ocorrer uma guerra civil no país e até mesmo um colapso nacional. Essas análises causaram grande repercussão dentro dos Estados Unidos.

Segundo especialistas, quando se reúnem as seguintes quatro condições, a probabilidade de violência política aumenta consideravelmente: quando a democracia entra em rápido declínio, quando a sociedade se fragmenta por raça, religião e etnia, quando políticos toleram ou incentivam a violência e quando civis podem adquirir armas de fogo com facilidade.

Os Estados Unidos satisfazem todas essas quatro condições.

Atualmente, cerca de metade das armas de fogo em posse de indivíduos em todo o mundo encontra-se nos Estados Unidos. O único país onde o número de armas em mãos privadas supera o número de habitantes é os Estados Unidos. Para a população desse país, a arma tornou-se parte do cotidiano, como um telefone celular.

Nos Estados Unidos, quanto mais aumentam os tiroteios, mais cresce o número de compradores de armas; e quanto mais cresce o número de compradores, mais se multiplicam os tiroteios. Trata-se de um ciclo vicioso de insegurança, compra de armas e insegurança ainda maior.

Outros países capitalistas tampouco são exceção. Nos países capitalistas onde se agravam a desigualdade entre ricos e pobres, a polarização política e o racismo desenfreado, as contradições e os confrontos se intensificam dia após dia.

As contradições e rivalidades entre forças políticas, bem como a insatisfação com o sistema social, transformam-se em ódio. A forma de expressão mais representativa disso são precisamente os tiroteios indiscriminados.

Ho Yong Min

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