O Oriente Médio tornou-se, desde muito tempo, uma região extremamente turbulenta. Contudo, nunca esteve tão caótico como agora.
Síria, Iraque, Iêmen e praticamente toda a região permanecem inquietos. Na Líbia e nos países vizinhos, os conflitos entre etnias e facções ainda não cessaram. A Faixa de Gaza e o sul do Líbano transformaram-se literalmente em ruínas devido aos ataques militares indiscriminados de Israel. Em suma, todo o Oriente Médio foi arrastado para uma trágica situação de conflitos e desordem sem rumo.
Muitos países, organizações internacionais e o mundo inteiro discutem a questão da garantia da paz no Oriente Médio, mas nenhuma medida efetiva é tomada, enquanto o ambiente de segurança regional se deteriora cada vez mais.
A causa não está em outro lugar. Ela reside nas persistentes manobras de ingerência, na política de divisão e discórdia e na política parcial de proteção a Israel por parte dos Estados Unidos e de outros países ocidentais, que buscam colocar o Oriente Médio sob sua dominação.
Historicamente, o Oriente Médio sofreu conflitos durante muito tempo. Isso se deve às fronteiras traçadas unilateralmente pelos colonialistas conforme seus próprios interesses.
Mesmo assim, o Ocidente jamais sentiu qualquer responsabilidade por isso. Pelo contrário, incitou mudanças de regime em países que não se submetiam docilmente aos seus interesses e, quando isso não funcionava, não hesitou em recorrer à intervenção militar.
Na década de 2010, começando pela instabilidade na Tunísia provocada pelas manobras intervencionistas do Ocidente, países do Oriente Médio como Egito, Iêmen e Síria mergulharam sucessivamente em guerras civis. Os Estados Unidos e os países ocidentais, que manipularam esses acontecimentos nos bastidores, embelezaram-nos sob o nome de “Primavera Árabe”, justificando assim suas ações. Desde então, o Oriente Médio não conseguiu escapar das consequências desse terremoto político. Novos conflitos surgiram em sequência e a região transformou-se em um palco caótico de confrontos.
O Ocidente forneceu armas e recursos financeiros aos grupos rebeldes e conduziu guerras por procuração através do fornecimento contínuo de mercenários, derrubando governos um após o outro. Até mesmo governos e figuras políticas que anteriormente haviam sido exaltados como importantes parceiros de “cooperação” foram eliminados sem piedade quando deixaram de agradar aos interesses ocidentais.
Na época, McFaul, que atuava como assessor presidencial dos Estados Unidos para assuntos da Eurásia e da Rússia, respondeu sem hesitação aos jornalistas que perguntavam sobre a posição estadunidense diante da situação egípcia, afirmando que os EUA mantinham relações estatais por um lado e, por outro, trabalhavam com a oposição.
As manobras ocidentais fizeram com que o cheiro de pólvora se espalhasse por todo o Oriente Médio. Mais tarde, eles próprios passaram a intervir diretamente com força militar.
Em 2011, os Estados Unidos, a França e outros países ocidentais lançaram contra a Líbia um ataque militar denominado “Amanhecer da Odisseia”, ajudando militarmente as forças opositoras e derrubando o governo de Gaddafi. Como consequência, a desordem espalhou-se não apenas pela Líbia, mas também pelas regiões vizinhas, enquanto organizações terroristas extremistas ampliaram rapidamente sua área de influência.
Na Síria, os confrontos entre forças continuam até hoje, e inúmeras pessoas foram obrigadas a abandonar sua terra natal e seguir o caminho do refúgio para escapar da guerra.
Apesar disso, o Ocidente tenta convencer o mundo de que todas as suas ações visam promover a “liberdade” e a “democracia”.
Quando o governo de Saddam Hussein foi derrubado no Iraque em 2003, e também quando aviões de combate franceses e britânicos bombardearam a Líbia em 2011, utilizaram o pretexto da “garantia da democracia”. O Ocidente também repetiu obstinadamente esse discurso de “garantia da democracia” ao apoiar as forças opositoras sírias e tentar destituir o presidente daquele país.
Um cientista político egípcio afirmou que os países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, sempre interferiram nos assuntos internos de outros países sob o pretexto da “democracia”, provocando instabilidade no Oriente Médio, “cultivando” o terrorismo e lançando os povos na miséria.
Os países ocidentais também contribuíram significativamente para que Israel se tornasse arrogante e agitasse toda a região do Oriente Médio.
Quando ocorreu a crise de Gaza em 2023, o Ocidente falou sobre um suposto “direito de autodefesa” e tomou partido de Israel, fornecendo-lhe massivamente armamentos e equipamentos militares. Fortalecido por esse apoio, Israel lançou ataques-surpresa contra o Irã no ano passado e novamente este ano. Ainda neste exato momento, tenta anexar o sul do Líbano com ações desenfreadas.
O Ocidente jamais poderá escapar da responsabilidade por ter transformado o Oriente Médio em uma região tomada por conflitos e caos.
A atual situação do Oriente Médio não é, de forma alguma, um problema distante. Não apenas no Oriente Médio, mas em diversas partes do mundo, continuam ocorrendo violações abertas da soberania por parte das forças ocidentais, criando desordem social e instabilidade. Conflitos armados irrompem continuamente e os próprios fundamentos da paz e da segurança estão sendo abalados.
No mundo atual, onde a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são brutalmente esmagados pela força e pela tirania, e onde as relações internacionais mergulham em um turbilhão de caos e convulsões, a realidade oferece uma resposta clara à questão sobre o que garante a existência dos Estados e a preservação da paz. Essa garantia é uma força poderosa que ninguém se atreva a desafiar.
Ri Hak Nam

Nenhum comentário:
Postar um comentário