Há cerca de dez anos, a polícia foi acionada após receber a informação de que havia pessoas sendo forçadas ao trabalho escravo em um acampamento para viajantes de automóveis no Reino Unido. Cerca de vinte pessoas de cabeça raspada estavam confinadas em lugares semelhantes a canis ou galpões, e algumas tinham o corpo todo coberto de sujeira. Eram pessoas atraídas pelo engodo de que “receberiam comida, local para dormir e pagamento pelo trabalho”. O período de confinamento variava de algumas semanas a até 15 anos.
“Mesmo nos tempos modernos e mesmo nos países desenvolvidos, existem escravos.” Essa foi a voz que ecoou então em diversos setores da sociedade daquele país. Era um lamento diante do fato de que, ainda hoje, quando a civilização moderna se desenvolve dia após dia, continuam as práticas de tráfico de escravos que registraram páginas atrozes na história da humanidade.
Ontem como hoje, o tráfico de pessoas vem sendo colocado como um problema tão grave quanto o tráfico de drogas ou de armas. Isso se deve ao seu caráter organizado e ao fato de estar se agravando em escala mundial. As redes de tráfico humano estendem-se como teias de aranha por todas as partes do mundo.
Neste exato momento, inúmeras pessoas estão sendo vendidas como “mercadorias vivas” para diversas regiões do mundo. A instabilidade política global, a desigualdade social cada vez mais acentuada entre ricos e pobres e os desastres naturais causados pelo aquecimento global estão aumentando o número de refugiados. Os grupos criminosos fazem deles seus principais alvos. Não hesitam em transformar jovens mulheres atraídas por engano, aliciamento ou sequestro em máquinas humanas de dar à luz, e em mercantilizar e vender os bebês.
Atualmente, os recursos financeiros que circulam no tráfico de pessoas em escala mundial alcançam cifras astronômicas. Os traficantes de pessoas obtêm enormes lucros sem precisar investir grandes capitais.
Somente nos últimos anos, muitos casos de tráfico de pessoas ocorreram em vários países.
Em Ruanda, no período de junho de 2024 até maio do ano passado, 105 vítimas que sofriam sob organizações criminosas de tráfico humano foram resgatadas. Os traficantes enganavam pessoas pela internet e as vendiam para outros países.
Na região central da Líbia, foi desmantelada uma organização criminosa de tráfico humano que não hesitava em vender migrantes, sequestrá-los, estuprá-los, torturá-los e até assassiná-los, enterrando-os no deserto. Em uma cidade desse país, foram encontrados mais de 50 corpos de migrantes assassinados por criminosos.
Na Indonésia, um grupo criminoso chegou a sequestrar 24 recém-nascidos para vendê-los a outros países.
Historicamente, o país onde o tráfico de pessoas é mais grave é os Estados Unidos.
Há alguns anos, em uma região do estado do Texas, dezenas de corpos de homens e mulheres traficados de vários países da América Latina foram encontrados em um caminhão estacionado, causando grande choque.
Nesse país, todos os anos, milhares de crianças, chamadas de adotadas, desaparecem sem deixar rastros. Apenas no estado da Geórgia, entre 2018 e 2022, quase 1.800 pessoas desapareceram, e especialistas consideram que todas elas tenham sido vítimas de tráfico humano.
Mulheres indígenas também se tornam vítimas do tráfico de pessoas. Segundo revelações do Centro Nacional de Informação Criminal dos EUA, o número de mulheres indígenas desaparecidas em todo o país chega a pelo menos cerca de 5.000. No estado de Montana, a taxa de desaparecimento de mulheres indígenas é quatro vezes maior do que a de mulheres brancas, e a probabilidade de serem assassinadas chega a ser dez vezes maior.
A situação no Japão não é diferente.
Especialistas avaliam que, entre as mulheres da Ásia, do Leste Europeu e da América Latina que vivem atualmente no Japão, a maioria caiu nas garras de traficantes de pessoas e está sendo forçada à prostituição. No entanto, o governo japonês, embora reconheça a existência de mulheres estrangeiras trabalhando na indústria da prostituição, afirma que aquelas que exercem a prostituição por coerção são apenas uma minoria.
De acordo com o relatório de 2020 sobre o tráfico de pessoas, divulgado em 2021 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, cerca de um terço das vítimas são crianças, e nos países pobres essa proporção chega a aproximadamente 50%. Entre as vítimas, as mulheres (incluindo meninas) representam cerca de 70%, e os homens adultos, cerca de 20%. Quanto aos objetivos do tráfico de pessoas, a exploração sexual corresponde a cerca de 50% e o trabalho forçado a cerca de 38%. Além disso, houve casos de tráfico com fins de casamento forçado ou extração de órgãos.
O tráfico de pessoas, que pisa brutalmente nos direitos independentes e na dignidade humana e obstrui o progresso social e o desenvolvimento da civilização, é um problema internacional que deve ser erradicado com urgência.

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