domingo, 4 de janeiro de 2026

O cessar-fogo na Faixa de Gaza é uma fachada

Já se passaram mais de dois meses desde que foi alcançado um acordo para a implementação de um cessar-fogo na Faixa de Gaza entre o Movimento de Resistência Islâmica da Palestina (Hamas) e Israel.

No entanto, os ataques militares do exército israelense contra civis palestinos na Faixa de Gaza não foram em nada enfraquecidos nem interrompidos.

Poucos dias após a proclamação do cessar-fogo, um ônibus que transportava palestinos foi atacado no norte da Faixa de Gaza, resultando na morte de mais de 10 pessoas, incluindo 7 crianças e 2 mulheres. Depois disso, diversos alvos na Faixa de Gaza continuaram sofrendo bombardeios e ataques de artilharia indiscriminados. Nos dias 28 e 29 de outubro do ano passado, o exército israelense realizou ataques aéreos em grande escala contra casas de civis e abrigos de refugiados sob o pretexto de “eliminar bases terroristas”, matando mais de 100 palestinos. Dentre os mortos, 35 eram crianças.

Naquela ocasião, países árabes e a comunidade internacional condenaram Israel por estar testando o acordo de cessar-fogo e exigiram que interrompesse as ações militares que empurravam a situação na Faixa de Gaza para uma crise ainda mais grave e que cumprisse o acordo de cessar-fogo.

Após o cessar-fogo, a situação na Faixa de Gaza não mudou absolutamente nada. Pelo contrário, não é exagero dizer que, em certo sentido, está sendo perpetrado um massacre ainda mais cruel do que antes da proclamação do cessar-fogo.

Como exemplo evidente, somente no dia 19 de outubro do ano passado, Israel lançou ataques contra mais de 100 alvos na Faixa de Gaza sob o pretexto de “responder ao terrorismo”. A maioria deles eram instalações civis. Apenas nesse dia, o número de mortos chegou a 44. Em meio à continuidade dos ataques militares do exército israelense, em dezembro do ano passado uma jovem palestina foi morta ao ser brutalmente alvejada a tiros sob a alegação de ter ultrapassado a ilegal e arbitrária “linha amarela”.

Para agravar ainda mais a situação, tempestades de inverno atingiram a Faixa de Gaza, tornando a crise humanitária ainda mais grave. Na Faixa de Gaza, onde edifícios e infraestrutura foram completamente destruídos e transformados praticamente em escombros, em dezembro do ano passado as tempestades fizeram com que, em apenas um dia, as tendas onde refugiados estavam abrigados ficassem submersas, provocando um aumento acentuado no número de mortos. Diz-se que entre eles havia três crianças que morreram de hipotermia.

Apesar disso, o exército israelense fechou a passagem fronteiriça de Rafah e está bloqueando de forma cruel a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Ao mesmo tempo, não interrompe nem por um instante os ataques militares contra civis.

Devido às atrocidades desumanas de Israel, a crise na Faixa de Gaza está caminhando dia após dia para uma situação cada vez mais grave. Segundo dados divulgados por órgãos competentes, somente após a entrada em vigor do cessar-fogo, o número de vítimas palestinas nessa região já chega a cerca de 1 550 pessoas. A realidade demonstra que a Faixa de Gaza se encontra, na prática, não sob um cessar-fogo, mas numa das situações de guerra mais agudas e graves.

Isso desperta profunda preocupação na comunidade internacional.

O primeiro-ministro do Catar advertiu que, caso não sejam envidados esforços para um acordo de paz permanente na Faixa de Gaza, existe o risco de o cessar-fogo ser rompido. Em um discurso proferido em determinada ocasião, ele afirmou que, para garantir um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza, o exército israelense deve se retirar completamente e a liberdade de circulação dos palestinos deve ser assegurada. Ministros das Relações Exteriores de países árabes e islâmicos também divulgaram uma declaração conjunta, condenando Israel por abrir a passagem fronteiriça de Rafah apenas em um sentido, permitindo que os palestinos apenas deixem Gaza sem poder retornar, e enfatizaram de forma unânime a importância de melhorar a situação humanitária na Faixa de Gaza.

Entretanto, as manobras de Israel para concretizar suas ambições de expansão territorial tornam-se cada vez mais arbitrárias e violentas com o passar dos dias.

Quando o acordo de cessar-fogo foi alcançado, autoridades israelenses chegaram a declarar que não retirariam suas forças até desarmar completamente o Hamas, afirmando que “alcançarão o objetivo mesmo que seja por meios duros”. Em novembro do ano passado, sustentaram que, embora o cessar-fogo estivesse em vigor, “alcançariam o objetivo mesmo utilizando outros métodos”. Isso revelou abertamente a intenção de recorrer à violência, independentemente do acordo de cessar-fogo ou das exigências da comunidade internacional, para consolidar o controle sobre a Faixa de Gaza.

A crise causada pelas ambições expansionistas de Israel está varrendo não apenas a Faixa de Gaza, mas todo o Oriente Médio. Na região da Cisjordânia, os ataques militares de Israel e a construção de assentamentos se expandem dia após dia. Em várias áreas do Líbano, ataques aéreos e bombardeios com mísseis do exército israelense são realizados diariamente.

A situação de segurança no Oriente Médio, que se torna cada vez mais perigosa, denuncia de forma clara a que ponto chegaram as ambições expansionistas de Israel, em um nível extremamente imprudente.

Un Jong Chol

Rodong Sinmun

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