Relatório apresentado pelo camarada Kim Il Sung no Congresso de Fundação do Partido do Trabalho da Coreia do Norte
29 de agosto de 1946
Queridos camaradas delegados:
O presente Congresso, cujo propósito é a fundação do Partido do Trabalho da Coreia do Norte mediante a fusão do Partido Comunista da Coreia do Norte e do Partido Neodemocrático da Coreia, tem grande significado nos anais do movimento pela independência da Coreia e na realização das atuais tarefas da revolução democrática.
Os senhores estão reunidos aqui não apenas na qualidade de delegados do Partido do Trabalho, mas também como representantes de todo o povo da Coreia do Norte, para discutir assuntos de Estado e importantes problemas que decidem o destino da pátria.
Nós, que até agora estivemos empenhados em uma grande luta e na construção em prol da pátria e do povo, convocamos o presente Congresso, no qual será fundado um partido unido das massas trabalhadoras coreanas, para realizar obras ainda maiores no futuro.
Hoje, o povo coreano, que vive em meio a uma situação política complexa e aguda, acompanha o Congresso de Fundação do nosso Partido com o mais profundo interesse e esperança. Por isso, devemos conduzir este Congresso a uma conclusão vitoriosa, para corresponder à grande esperança do povo coreano e satisfazer as exigências urgentes das massas populares.
1. Situação política na Coreia
A situação do nosso país sofreu uma mudança radical desde sua libertação. Com a conclusão vitoriosa da guerra mundial antifascista, graças ao papel decisivo do exército soviético, o sistema de brutal dominação do imperialismo japonês também foi derrubado na Coreia, abrindo-se assim o caminho que poderá conduzir à construção de uma Coreia para os coreanos, de uma nova pátria e de uma nova vida conforme a vontade e as exigências do nosso povo.
O entusiasmo revolucionário e o poder criador do povo coreano, livre após tão longa opressão, irromperam como um vulcão em erupção e, em apenas um ano transcorrido, essa grande força produziu uma mudança radical na fisionomia da sociedade coreana.
As reformas democráticas realizadas na Coreia do Norte durante esse período puseram fim a todas as relações coloniais e feudais que por muito tempo estagnaram o desenvolvimento da economia e da cultura do nosso país e abriram caminho para seu livre desenvolvimento. O ano transcorrido foi, de fato, um ano de grande salto e transformação, que, em circunstâncias normais, teriam exigido dezenas e até centenas de anos.
No transcurso da encarniçada luta contra o inimigo, a consciência política do povo coreano alcançou uma elevação sem precedentes, e a Coreia está se convertendo precisamente hoje em uma Coreia do povo, uma Coreia governada e construída por seu próprio povo.
As reformas democráticas da Coreia do Norte também possuem grande significado no plano internacional. Exemplos de reformas sociais democráticas realizadas de maneira tão completa quanto em nossa Coreia do Norte dificilmente poderiam ser encontrados em outros países empenhados na criação de uma nova vida após a Segunda Guerra Mundial. As reformas democráticas da Coreia do Norte oferecem um exemplo estimulante aos povos dos diversos países do Oriente que aspiram à liberdade e à democracia. A Coreia do Norte tornou-se hoje não apenas a base do desenvolvimento democrático de toda a Coreia, mas também desempenha o papel de berço da democracia no Oriente.
A reforma agrária pôs fim às relações feudais de posse da terra, principal causa do atraso e da estagnação da sociedade coreana, e lançou os alicerces para o desenvolvimento democrático da Coreia. Na Coreia do Norte, o camponês que cultiva a terra tornou-se seu dono, e os latifundiários e o sistema de arrendamento foram liquidados de uma vez por todas.
Na Coreia do Norte, os camponeses trabalham suas próprias terras e dispõem livremente dos produtos agrícolas para melhorar seu nível de vida e aumentar a produção, entregando ao Estado apenas 25% da colheita a título de imposto agrícola em espécie. O imposto agrícola em espécie recebido pelo Estado é utilizado não para o desfrute e enriquecimento dos exploradores, como no passado, mas para o desenvolvimento da economia nacional em seu conjunto, incluindo a economia rural, e para melhorar a vida do povo.
A implantação da democrática Lei do Trabalho libertou os trabalhadores manuais e intelectuais dos cruéis trabalhos forçados de tipo colonial, assegurando-lhes direitos fundamentais no trabalho e na vida, o que permitiu às massas trabalhadoras desenvolver plenamente sua atividade e seu poder criador.
A nacionalização das indústrias transformou em propriedade do povo os estabelecimentos industriais que pertenciam ao imperialismo japonês e aos traidores da nação, os quais constituíam a espinha dorsal da economia coreana, e, dessa maneira, suprimiu a base de apoio da exploração imperialista e lançou os fundamentos econômicos para construir um Estado soberano e independente. Assim, essas fábricas, minas de carvão, ferrovias, comunicações, bancos e outros estabelecimentos, que antes serviam aos imperialistas e aos capitalistas compradores para sugar o sangue e o suor do povo coreano, passaram agora a ser bens do povo destinados à prosperidade e ao desenvolvimento da nossa pátria e ao aumento do bem-estar das massas trabalhadoras. Essas medidas adotadas pelo Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte constituem uma prova eloquente do caráter avançado e completo das reformas democráticas realizadas em nosso país.
Além disso, a Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher emancipou a mulher norte-coreana do desprezo, dos maus-tratos e da dupla e tripla opressão que sofreu durante milênios, capacitando-a assim a participar ativamente de todas as esferas da política, da economia e da cultura com os mesmos direitos que o homem.
Como todos esses fatos demonstram de forma evidente, a democrática Coreia do Norte indica hoje claramente a todo o povo coreano o caminho a seguir, e a democratização da Coreia e sua independência completa só podem ser alcançadas com o firme apoio da base democrática da Coreia do Norte.
Entretanto, há muitas dificuldades no caminho da construção democrática da pátria, e nossa luta é muito árdua e complexa. Isso se deve ao fato de que o exército agressor imperialista estadunidense, que procura recolonizar o nosso país, está estacionado na Coreia do Sul, e uma quadrilha de traidores da pátria, transformados em seus lacaios, tenta desesperadamente vender novamente a Coreia como colônia ao imperialismo. Atualmente, a administração militar estadunidense monopoliza todo o poder na Coreia do Sul e realiza todo tipo de manobras frenéticas para reprimir as forças democráticas e criar uma base de apoio para a reação.
O povo da Coreia do Sul sofre sob a bárbara opressão e tirania das forças reacionárias internas e externas e afunda em um trágico abismo de miséria e privação de todos os direitos, exatamente como na época do imperialismo japonês.
Às massas populares são completamente negadas as liberdades elementares: liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de associação e de crença religiosa, entre outras. Assim, milhares de patriotas são cruelmente torturados em calabouços e prisões pelo seu "crime" de amar a pátria, pelo seu "delito" de terem aclamado a democracia e a independência da pátria. Em plena luz do dia, os dirigentes do povo caem sob as balas dos terroristas reacionários, e os partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático são destruídos pelas ações terroristas da quadrilha traidora da pátria de Ri Sung Man, patrocinada abertamente pelo exército ianque. Diante da porta de um tribunal, os reacionários mataram a tiros um estudante do ensino secundário que exigia que o julgamento do chamado "caso da falsificação de cédulas" fosse público.
Sábios e professores patriotas são expulsos das escolas, e estas são fechadas uma após outra. Destacados representantes patrióticos da cultura e da arte também são colocados sob vigilância, espancados e lançados nas prisões sem motivo algum.
Longe de se falar em reforma agrária, as terras que no passado pertenciam aos japoneses estão sendo concentradas nas mãos dos estadunidenses e dos especuladores reacionários. Os camponeses sul-coreanos gemem sob o jugo do sistema feudal de arrendamento com rendas muito elevadas, como no passado.
Longe de se falar na implantação da lei do trabalho, os operários são mortos com aviões, tanques e metralhadoras apenas por terem participado de uma manifestação; e quem faz um discurso em defesa do movimento operário é condenado a oito anos de prisão. Hoje, os operários sul-coreanos são obrigados a trabalhar como bestas de carga, sob uma cruel exploração e opressão coloniais em nada diferentes das que sofreram no passado.
Longe de se falar na nacionalização das principais indústrias, as autoridades da administração militar estadunidense declaram como sua propriedade os estabelecimentos industriais que anteriormente pertenciam ao imperialismo japonês; e falam em restaurar a indústria quando, na realidade, estão destruindo as poucas fábricas que ainda funcionam e transformando a Coreia do Sul em um mercado para as mercadorias estadunidenses. A camarilha traidora de Ri Sung Man já concedeu aos capitalistas estadunidenses não apenas concessões de mineração e comércio na Coreia, mas também hoje perpetra atos de traição à pátria, como vender abertamente aos plutocratas estadunidenses as valiosas riquezas do país.
Longe de se falar em direitos iguais para o homem e a mulher, difundem-se ainda mais os sistemas de poligamia, de prostituição, licenciada ou clandestina, bem como o de cortesãs, e muitas mulheres sofrem a insuportável humilhação de servir de brinquedos de prazer para indivíduos ricos e influentes.
O verdadeiro valor de um partido político e de uma política deve ser medido não por suas palavras ou declarações, mas por suas atividades práticas e pelos fatos concretos que demonstrem de quem são os interesses que essa política representa e defende. Durante o ano transcorrido, os "políticos" reacionários da Coreia do Sul fizeram incontáveis discursos, promessas e juramentos diante dos microfones e nas tribunas públicas. Mas, na verdade, o que trouxeram eles ao povo coreano? A camarilha de Ri Sung Man, apesar de todo o seu descaramento, já não pode ocultar sua verdadeira natureza, que hoje foi completamente desmascarada diante de todo o povo coreano pela própria realidade dos fatos. A camarilha traidora de Ri Sung Man, em vez de implantar ali a democracia, nada fez além de tiranizar a Coreia do Sul e vender o país como colônia aos Estados Unidos, cumprindo os ditames de seus senhores estadunidenses.
Os desempregados vagueiam em grupos pelas ruas; pessoas famintas, com tigelas nas mãos, amontoam-se diante dos órgãos oficiais, expondo aos gritos suas queixas; jovens estudantes caem sob as balas; as escolas são fechadas; os órgãos de expressão, como editoras de jornais, revistas e outros, são sucessivamente encerrados; e os patriotas continuam sendo presos, encarcerados e assassinados, enquanto os elementos pró-japoneses e traidores da nação levam ao extremo seu despotismo e abuso de poder, como se tivessem voltado a encontrar o seu mundo; este é precisamente o verdadeiro quadro da Coreia do Sul, uma terra de desordem onde o exército ianque atua como senhor.
Em diametral contraste com a Coreia do Norte, que avança rumo a uma autêntica democracia e à independência nacional, a Coreia do Sul, sob o domínio do terror fascista imposto pelos imperialistas ianques e seus lacaios, a camarilha traidora de Ri Sung Man, retrocede pelo caminho da reação e da escravidão colonial. Assim, a dificuldade para resolver o problema coreano reside precisamente no fato de que a metade sul do nosso país está ocupada e colonizada pelo imperialismo ianque.
A tarefa mais importante que hoje se apresenta ao povo coreano é frustrar o quanto antes a linha antipopular e reacionária da Coreia do Sul, realizar ali reformas democráticas completas, como foi feito na Coreia do Norte, e construir, assim, uma nova Coreia democrática, unificada e independente.
2. O fortalecimento da Frente Unida Nacional Democrática é uma importante garantia da vitória para a revolução
A consolidação, por todos os meios, da Frente Unida Nacional Democrática, organização que reúne todas as forças patrióticas e democráticas da Coreia, constitui uma importante garantia de vitória para a nossa revolução.
As reformas democráticas na Coreia do Norte, desde o seu início, foram levadas a cabo pela força de todo o povo, pelos esforços unidos de todos os partidos políticos e organizações sociais de caráter democrático.
O Partido Comunista da Coreia do Norte, o Partido Neodemocrático da Coreia, o Partido Democrático da Coreia, o Partido Chondoísta Chongu e todas as organizações sociais, atuando sempre em uníssono sob a bandeira da democracia, liquidaram os elementos pró-japoneses de toda espécie, frustraram as intrigas e manobras dos reacionários e vêm acelerando energicamente a grande tarefa de construir um país democrático. A Frente Unida Nacional Democrática da Coreia do Norte, que reúne todas as forças patrióticas e democráticas, nasceu e cresceu no curso da luta prática para realizar as tarefas democráticas. Ela está intimamente ligada às amplas massas populares e já reúne ao seu redor mais de seis milhões de pessoas das massas organizadas. Isso representa, de fato, uma grande força, e é precisamente aí que reside o fator básico da nossa vitória.
O fato de o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte ter conseguido realizar de maneira segura e bem-sucedida as grandes reformas democráticas em um curto período de seis meses após sua criação também se deve ao fato de ter se apoiado na força unida de todos os partidos políticos e organizações sociais, bem como de todas as classes e camadas sociais do povo. Sempre que surgia uma tarefa democrática, todos os partidos políticos e organizações sociais publicavam uma declaração conjunta de apoio absoluto à mesma, enviavam seus ativistas para todas as regiões locais e não poupavam esforços nem entusiasmo para sua realização vitoriosa.
Os órgãos do nosso Poder popular podem cumprir com êxito as tarefas democráticas sobre uma ampla base de massas porque todos os partidos políticos democráticos dão seu apoio unânime aos comitês populares e unem seus esforços na luta pela aplicação de sua política. Todos os partidos políticos e organizações sociais, todas as classes e camadas das massas populares da Coreia do Norte estão estreitamente unidos em torno dos comitês populares e dão apoio unânime e ativo às medidas adotadas pelos órgãos do Poder popular. Como resultado, as reformas democráticas na Coreia do Norte são e continuarão sendo realizadas em virtude da grande força compacta das amplas massas populares reunidas em torno da Frente Unida Nacional Democrática.
Toda a nossa experiência ensina hoje claramente que a soberania e a independência completas da Coreia, bem como seu desenvolvimento democrático, só podem ser alcançados pela força da Frente Unida Nacional Democrática, que abrange todas as massas populares: em primeiro lugar, a classe operária e, em seguida, os camponeses, artesãos, intelectuais, comerciantes e empresários.
Ao contrário, a causa de toda a desordem e da lamentável situação que imperam na Coreia do Sul sob a administração militar estadunidense reside principalmente na desunião das fileiras da nossa nação. Na Coreia do Sul, segundo se diz, chegou a haver mais de 200 partidos políticos. Dividir-se dessa maneira em minúsculos partidos e pequenos grupos e brigar entre si é exatamente o que desejam as forças reacionárias. Os inimigos da democracia, inimigos da nossa nação, desejam, antes de tudo, ver o nosso laborioso povo — operários, camponeses, intelectuais trabalhadores e outros — combatendo-se e mordendo-se mutuamente, dividido em facções opostas. Isso porque as forças reacionárias só podem subsistir e alcançar seus objetivos antipopulares aproveitando-se dessa situação e valendo-se da divisão das forças democráticas. Essa política divisionista é o método predileto que os reacionários aplicam habitualmente em todas as partes do mundo. Não devemos deixar-nos enganar por esse ardil nem jamais cair nele. Entretanto, na Coreia do Sul caíram nessa armadilha. Os partidos políticos e as organizações sociais de caráter democrático da Coreia do Sul encontram-se divididos entre si e mergulhados em disputas facciosas e lutas pela hegemonia, exatamente como deseja o inimigo. Atualmente, isso constitui o principal perigo da situação na Coreia do Sul.
O desenvolvimento dos acontecimentos ocorridos na Coreia do Sul durante o ano transcorrido demonstra-nos de maneira convincente quão valiosa é a união de todas as forças patrióticas e democráticas e quão urgente e importante é fortalecer a unidade, especialmente a das massas trabalhadoras do povo.
Devemos fortalecer a frente unida de todos os partidos políticos e organizações sociais de caráter patriótico que aspiram à liberdade, à independência e à democracia da pátria, rejeitar as forças reacionárias e traidoras da pátria e conduzir a revolução democrática a uma vitória completa, apoiando-nos na força unida de todos os trabalhadores e de todo o povo.
3. A fusão dos dois partidos é inevitável e a mais adequada
Camaradas delegados:
No momento atual, a fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático tem, de fato, um significado transcendental para o fortalecimento da unidade das forças democráticas em nosso país. Particularmente, a integração dos dois Partidos em um só constitui um grande passo rumo a uma união mais estreita das amplas massas de operários, camponeses e intelectuais trabalhadores.
No processo de fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático foram expressas diversas opiniões acerca de que tipo de partido deveria ser o Partido do Trabalho e do que ele deveria fazer.
O Programa do nosso Partido do Trabalho estipula explicitamente quais são seus objetivos, seu caráter e seus deveres. Nosso Partido é, como se estabelece claramente no início de seu Programa, um partido que representa e defende os interesses das massas trabalhadoras da Coreia, tendo por finalidade construir um Estado independente, democrático, poderoso e próspero. O Partido do Trabalho é o destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras da Coreia e está enraizado nas amplas massas de operários, camponeses e intelectuais trabalhadores. É por isso que o Partido do Trabalho deve tornar-se, naturalmente, a força dirigente na luta pela soberania, independência e democratização da Coreia e desempenhar o papel de núcleo na Frente Unida Nacional Democrática. Nosso Partido luta para derrotar os elementos pró-japoneses, os traidores da nação, os latifundiários e os capitalistas compradores; para libertar completamente a pátria do jugo do imperialismo estrangeiro e para construir um Estado soberano, independente e democrático. Esses são os mesmos objetivos que vêm sendo perseguidos tanto pelo Partido Comunista quanto pelo Partido Neodemocrático.
Quais são, então, os deveres do Partido do Trabalho? O dever fundamental do nosso Partido na etapa atual é realizar plenamente as reformas democráticas, anti-imperialistas e antifeudais em todo o país e fundar uma república popular democrática, mobilizando as amplas massas do povo. As atuais tarefas programáticas do nosso Partido são: confiscar as terras dos imperialistas japoneses e dos latifundiários e distribuí-las aos camponeses; nacionalizar as indústrias, os transportes, as comunicações e os bancos, entre outros, pertencentes aos imperialistas japoneses e aos capitalistas compradores, transformando-os em propriedade do povo; estabelecer a jornada de oito horas e um sistema de seguridade social para os trabalhadores manuais e intelectuais; conceder às mulheres os mesmos direitos que aos homens; assegurar ao povo a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, de associação e de crença religiosa; instituir um sistema democrático de ensino popular e implantar a educação obrigatória, bem como desenvolver a ciência, a cultura e as artes nacionais.
Essas tarefas democráticas representam as exigências mais urgentes de todos os setores do povo trabalhador de toda a Coreia. Sem levar a cabo as reformas democráticas, é impossível construir um Estado plenamente independente e democrático, libertar as massas trabalhadoras da pobreza e da privação de seus direitos, ou desenvolver a economia e a cultura do nosso país.
O Partido Comunista e o Partido Neodemocrático lutaram e continuam lutando para tornar realidade essas exigências vitais das massas trabalhadoras da Coreia. Por isso, é inevitável a fusão de ambos os partidos, cujos objetivos e tarefas são os mesmos.
Hoje, estamos lutando não pela antiga democracia parlamentar dos Estados capitalistas, mas pela verdadeira democracia da nova Coreia, uma democracia para as amplas massas populares, uma democracia progressista. A luta pela conquista dos direitos das massas populares nas esferas política, econômica e cultural é uma luta árdua, complexa e prolongada que temos diante de nós. A fusão do Partido Comunista e do Partido Neodemocrático é de necessidade vital para o cumprimento dessa tarefa.
A desunião das massas trabalhadoras na luta de vida ou morte contra o inimigo constitui o maior perigo. As massas trabalhadoras devem unir-se com maior firmeza e manter uma estreita coesão, a fim de cumprir vitoriosamente nossa missão de combate. O fator mais decisivo para a realização das grandes tarefas democráticas que se apresentam ao povo coreano é formar um Estado-Maior unificado das massas trabalhadoras, o único destacamento militante de vanguarda do povo trabalhador. Esse problema só pode ser resolvido com a fundação do Partido do Trabalho.
Por essa razão, o Comitê Central do Partido Neodemocrático propôs a fusão dos dois Partidos, e o Comitê Central do Partido Comunista também concordou plenamente com essa proposta, de modo que foi oficialmente decidido, em uma reunião conjunta dos Comitês Centrais de ambos os Partidos, fundir-se e desenvolver-se em um Partido do Trabalho de caráter de massas.
Todo o povo, para não falar dos membros de ambos os Partidos, saudou calorosamente essa histórica decisão. Isso porque estava convencido de que a fusão dos dois Partidos contribuiria grandemente para o fortalecimento das forças democráticas e para acelerar a construção democrática.
Desse modo, a fusão realizou-se sem dificuldades em todas as províncias, cidades, condados e cantões, sob uma atmosfera de elevado entusiasmo político de todos os membros de ambos os Partidos e de todas as massas trabalhadoras que apoiaram essa fusão; e, assim, hoje pudemos convocar o Congresso de Fundação do Partido do Trabalho. Isso constitui uma prova evidente de que a integração dos dois Partidos era inevitável e a mais adequada.
Entretanto, no curso da fusão encontramos tendências errôneas entre alguns membros do Partido Comunista. Eis alguns exemplos:
Gostaria de destacar, antes de tudo, a atitude presunçosa e arrogante de alguns membros do Partido Comunista. Eles dizem: "Como podemos nos fundir com o Partido Neodemocrático?". De nossa parte, gostaríamos de lhes perguntar: "Quando foi que vocês se tornaram Boyi e Shuqi?" Trata-se, acima de tudo, de uma manifestação de autossuficiência e de desprezo pelos outros; de uma tendência exclusivista de considerar a si mesmo como o único que faz a revolução. E tal defeito deriva da ignorância da linha e da política do nosso Partido e até mesmo da simples verdade de que o trabalho revolucionário só alcançará a vitória quando todos os camaradas da revolução mantiverem a unidade e todas as massas populares estiverem coesas. Falando de maneira mais rigorosa: por ser uma tendência faccionista, trata-se de uma perigosa tendência contra a qual devemos estar armados da maior vigilância, em benefício da criação de um partido político de massas. Se se permitisse que uma tendência desse tipo ganhasse força, nossa causa poderia ser arruinada.
Outra grave tendência manifesta-se na afirmação de que nosso Partido "se converterá em um Partido Neodemocrático" ou "se transformará em um partido da classe dos pequenos proprietários". Isso é, por um lado, uma manifestação esquerdista que vê a fusão com maus olhos; mas considero necessário exercer uma vigilância especial contra o veneno direitista contido nessa tendência.
Devemos combater resolutamente os desvios que prejudiquem a disciplina organizativa e a unidade ideológica do Partido e que procurem reduzi-lo a um simples clube de massas trabalhadoras, a uma organização de amizade típica da classe dos pequenos proprietários. A fundação do Partido do Trabalho, um partido de massas que defende os interesses de todas as massas trabalhadoras e pode acolher todos os seus elementos avançados, não significa de modo algum que seja admissível prejudicar a dignidade política do Partido e enfraquecer a unidade de suas fileiras e sua férrea disciplina. O Partido do Trabalho é uma unidade de combate organizada e um destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras. Em todos os momentos devemos defender a unidade, a pureza e a rigorosa disciplina do Partido. Se em nossas fileiras faltarem unidade de ideias, unidade de vontade e disciplina, seremos incapazes de alcançar a vitória na luta contra o inimigo.
Outro ponto que gostaria de mencionar é a falsa suposição de que haverá uma "grande depuração" no Partido. Isso também é uma manifestação da passividade daqueles que desaprovam a fusão, uma tendência a desconfiar do Partido.
É natural que o Partido elimine os elementos estranhos com o objetivo de manter a pureza de suas fileiras. Devemos sempre reforçar a vigilância contra os elementos estranhos, impedir completamente suas maquinações e expulsá-los das fileiras do Partido assim que forem descobertos. Esses elementos, entretanto, são muito poucos e, por isso, não poderá haver uma "grande depuração" em nosso Partido do Trabalho, e tudo o que se diz sobre tal "depuração" é completamente errôneo.
4. Tarefas imediatas do Partido
A tarefa fundamental do nosso Partido na etapa atual é construir, o mais rapidamente possível, um Estado democrático, unificado e plenamente independente. Para alcançá-lo, devemos varrer todas as forças reacionárias pró-japonesas e feudais que impedem a independência democrática da pátria.
Temos de lutar para fortalecer ainda mais o Comitê Popular Provisório da Coreia do Norte, que é um verdadeiro Poder popular, e transferir todo o poder aos comitês populares em toda a Coreia. Devemos lutar para consolidar ainda mais os êxitos das reformas democráticas já realizadas na Coreia do Norte — reforma agrária, Lei do Trabalho, Lei da Igualdade dos Direitos do Homem e da Mulher, nacionalização das principais indústrias, instituição de um sistema de ensino popular etc. — e para estender essas reformas a todo o país.
A fim de realizar vitoriosamente essas tarefas de luta, o mais importante é fazer do nosso Partido uma forte unidade militante.
Quanto mais se amplia a frente unida das massas populares, quanto mais complexas se tornam as tarefas que enfrentamos e quanto mais se intensifica a luta contra o inimigo, tanto mais se torna vital fortalecer ainda mais, nos aspectos organizativo e ideológico, o nosso Partido, destacamento de vanguarda das massas trabalhadoras coreanas.
Devemos fortalecer por todos os meios a unidade de ideias, a unidade de vontade e a férrea disciplina nas fileiras do Partido e travar uma luta implacável contra tudo o que se oponha a isso.
Os dois Partidos acabam de integrar-se em um só e, portanto, podem surgir em nossas fileiras tendências divergentes. Por isso, é necessário armar todos os membros do Partido com as mesmas ideias, baseadas no Programa do nosso Partido, fortalecer sua unidade camaradesca de princípios e elevar sua consciência política.
Lutar contra todas as tendências facionistas é hoje de particular importância para a vida do nosso Partido. Devemos eliminar totalmente os vestígios do abominável faccionismo que, ao longo de sua longa história, tantos prejuízos causou ao movimento revolucionário na Coreia, para construir assim o nosso Partido como uma tropa unida, poderosa e férrea.
Nosso Partido deve enraizar-se profundamente nas massas e manter, em todos os momentos, seus vínculos de sangue com elas. Devemos, em qualquer circunstância, defender os interesses das massas trabalhadoras, ouvir suas opiniões, aprender com elas e educá-las. Devemos dirigir e orientar todas as organizações de trabalhadores e, reunindo firmemente todas as massas trabalhadoras em torno do nosso Partido, guiá-las corretamente na construção de uma nova Coreia democrática. O fato de os membros do nosso Partido desempenharem bem ou mal seu trabalho é a chave que decidirá sua vitória ou seu fracasso.
Em seguida, deve-se dedicar a maior atenção à questão dos quadros. Se não houvesse quadros capazes de executar com êxito o Programa e as decisões do nosso Partido, tanto aquele quanto estas se converteriam apenas em letra morta, por mais excelentes que fossem. Os quadros decidem tudo. Entretanto, ainda temos deficiências no trabalho de conhecê-los, formá-los e promovê-los. Frequentemente ouvimos dizer: "É uma pena que não tenhamos quadros", mas raramente ouvimos falar sobre como e onde os quadros foram formados e sobre como foram promovidos os novos. Devemos fazer os maiores esforços para conhecer e selecionar os quadros, formá-los e promovê-los.
Para concluir, quero enfatizar a necessidade de fazer com que as massas populares conheçam profundamente o Programa, a política e as decisões do nosso Partido. Nosso Programa, nossa política e nossas decisões só poderão tornar-se realidade quando as massas populares os compreenderem e os fizerem seus. Devemos esforçar-nos para que as massas populares sintam como suas as palavras de ordem do nosso Partido e se mobilizem conscientemente para colocá-las em prática.
Marchemos vigorosamente adiante pela liberdade e pela independência democrática da pátria, unindo estreitamente todas as forças democráticas em torno do Partido do Trabalho que hoje fundamos.
Viva o Congresso de Fundação do Partido do Trabalho da Coreia do Norte, representante dos interesses das massas trabalhadoras!
Viva a Frente Unida Nacional Democrática!
Viva o estabelecimento de uma república popular democrática!

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