O estimado camarada Kim Jong Un disse:
“O elevado espírito dos veteranos da guerra, que desde os dias da guerra até o período da reconstrução do pós-guerra e da construção socialista permaneceram invariavelmente fiéis ao Partido e ao Líder, bem como os brilhantes feitos que realizaram em prol da pátria, são preciosidades incomparáveis e de valor inestimável.”
A história da nossa revolução é a história do grande Líder e, ao mesmo tempo, a história dos verdadeiros patriotas e leais servidores que fizeram da defesa resoluta do Líder a maior honra e a maior felicidade de suas vidas. Porque o Líder é grandioso, também é grandiosa a vida dos combatentes que o seguem e o servem. Quantas pessoas comuns não cresceram nesta terra para se tornarem heróis e patriotas?
No mês de abril passado, uma veterana da Guerra de Libertação da Pátria, com 92 anos de idade, recebeu o título de Heroína da República. Os extraordinários feitos que ela realizou discretamente na defesa do Líder, tanto durante a guerra quanto no período posterior, permaneceram desconhecidos por mais de 70 anos. No entanto, mesmo com mais de 90 anos de idade, a veterana de guerra Kim Un Ok, conservando em seu coração a mesma pureza de lealdade ao Líder que nutria nos dias da guerra e vivendo cada dia e cada momento com um coração ardente, guiada por uma vida de verdadeira convicção e consciência, deixou para as gerações futuras um admirável exemplo de patriotismo e devoção, legando-lhes um ensinamento de valor inestimável.
A defesa do Líder é o princípio mais precioso para nós
No mês de abril passado, realizou-se na capital, Pyongyang, uma cerimônia de concessão do título de Heroína da República a uma veterana da Guerra de Libertação da Pátria. Tratava-se da camarada Kim Un Ok, de mais de 90 anos de idade, residente no bairro Haeun 1, distrito de Phyongchon.
No momento em que foi lido o decreto do Presidium da Assembleia Popular Suprema da República Popular Democrática da Coreia conferindo à camarada Kim Un Ok o título de Heroína da República Popular Democrática da Coreia, juntamente com a Medalha Estrela de Ouro e a Ordem da Bandeira Nacional de Primeira Classe, em reconhecimento aos seus extraordinários méritos na defesa do Partido e da revolução durante a Guerra de Libertação da Pátria e no período da reconstrução do pós-guerra, graças ao seu inabalável espírito de defesa resoluta do Líder, uma onda de profunda emoção tomou conta de todo o recinto.
Com a medalha de Heroína brilhando em seu peito, vestida com o uniforme de oficial dos tempos da guerra, a camarada Kim Un Ok prestou continência solenemente, enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. Os aplausos emocionados dos jovens combatentes da nova geração da defesa nacional, dirigidos à veterana revolucionária e heroína de guerra que, com um único pensamento de proteger a segurança do Líder, percorreu silenciosamente o caminho da convicção e da consciência, disposta a entregar a própria vida em um campo de batalha desconhecido, prolongaram-se por muito tempo.
Ela era uma avó comum, como tantas outras que podem ser encontradas em qualquer parte desta terra. Mas os feitos que realizou estavam longe de ser comuns. Eram feitos que podiam ser colocados, com toda justiça, acima de todos os demais méritos desta terra.
No início de agosto de 1952, Kim Un Ok encontrava-se mais uma vez nos arredores do Quartel-General Supremo, cumprindo a importante missão de identificar a origem de estranhas transmissões de rádio que apareciam com frequência, utilizando uma nova faixa de frequência e alterando astutamente seus métodos de transmissão. Ela concentrava todos os esforços na vigilância.
Naquela época, servia como oficial do Ministério da Segurança Social, e sua arma era um rádio transmissor-receptor.
Na captura de inimigos ocultos, a primeira linha de combate era a escuta de rádio. As ondas emitidas pelos inimigos, invisíveis aos olhos e impossíveis de tocar, que só podiam ser percebidas pelos ouvidos, eram precisamente o adversário que ela jamais podia perder de vista e que necessariamente tinha de capturar.
Além disso, naquela época em que aviões inimigos lançavam ferozes bombardeios sempre que o Quartel-General Supremo mudava de posição, cada sessão de escuta de rádio era, para ela, uma batalha decisiva diretamente ligada à segurança do grande Líder.
Na realidade, para Kim Un Ok, que após a libertação havia estudado apenas um pouco da língua coreana na escola primária, não era nada fácil dominar o código Morse, a terminologia técnica especializada e até mesmo idiomas estrangeiros, como inglês e japonês, indispensáveis às atividades de localização e interceptação de transmissões. Entretanto, convencida de que, se fosse necessário até arrancar estrelas do céu para proteger o Quartel-General Supremo, isso deveria ser feito sem falta, ela tornou-se, graças ao seu esforço incansável e extraordinária força de vontade, uma das primeiras especialistas em interceptação de rádio da República, superando até mesmo os inimigos nessa área.
De repente, voltou a ouvir o som das transmissões que frequentemente surgiam como fantasmas em seus ouvidos. Segurando rapidamente o lápis, começou a anotar apressadamente grupos de números na folha de recepção. Nesse instante, porém, seus ouvidos quase ficaram surdos. Grandes formações de aviões inimigos cobriam os céus. Ao mesmo tempo, as transmissões dos inimigos recomeçaram. As rajadas das metralhadoras inimigas passavam rente às suas orelhas e atingiam violentamente os arredores. Mas toda a sua atenção permanecia concentrada exclusivamente em captar as transmissões do inimigo.
“Viva ou morra, preciso capturar esta transmissão. Se eu a perder, perderei também o inimigo cruel que está visando o Quartel-General Supremo. Mesmo que tenha de sacrificar minha própria vida, defenderei o General Kim Il Sung!”
Enquanto concentrava toda a sua atenção nos sons das transmissões e continuava escrevendo, parte do teto desabou repentinamente. Naquele instante, o coração daquela jovem não foi tomado pelo medo da morte. O que mais temia era não conseguir continuar a interceptação por causa dos bombardeios. Seu peito transbordava de ódio. Os inimigos bombardeavam indiscriminadamente o Quartel-General Supremo onde se encontrava o General Kim Il Sung.
De repente, lembrou-se das palavras que seu pai pronunciara emocionado na primeira colheita após a libertação, quando haviam empilhado tantos sacos de arroz que a casa parecia pequena para contê-los:
“Quero levar este arroz para Pyongyang e fazer uma profunda reverência ao General Kim, agradecendo-lhe.”
Também ecoaram em seus ouvidos as palavras de sua mãe, ditas entre lágrimas quando ela ingressou no Ministério do Interior, no ano seguinte à fundação da República:
“Finalmente nasceu uma soldada para defender o país em nossa família, que durante gerações foi de arrendatários.”
Nem seu pai nem sua mãe estavam mais ao seu lado. Pelo simples fato de Kim Un Ok servir no Ministério do Interior, os inimigos haviam enterrado vivos, no mesmo dia, onze membros de sua família. Para Kim Un Ok, tanto na vida quanto na morte, só existia o amparo do nosso Líder. Defender com a própria vida esse precioso amparo não era apenas o dever de um soldado armado, mas o princípio mais fundamental e o mais honroso dever de todo cidadão deste país.
Preparada para morrer, voltou a apertar firmemente a folha de recepção e o lápis.
“Mesmo que eu morra, esta mensagem de rádio deve chegar ao Quartel-General Supremo!”
Quando seus companheiros conseguiram resgatá-la dentre os escombros da parede desabada, a mensagem de rádio continuava firmemente presa em sua mão.
Naquele dia, os imperialistas estadunidenses lançaram, em duas ondas de ataques, mais de cento e cinquenta bombas sobre o posto de comando do Quartel-General Supremo, utilizando mais de uma centena de aviões e disparando centenas de tiros de metralhadora. A mensagem interceptada por Kim Un Ok ao risco da própria vida tornou-se, posteriormente, uma importante prova dos crimes do traidor Ri Sung Yop, que orientava, por meio de comunicações de rádio, numerosos aviões estadunidenses para bombardearem o Quartel-General Supremo.
Alguns meses depois, realizou-se o julgamento militar de Ri Sung Yop. Kim Un Ok participou do julgamento como testemunha, sentada ao lado do então vice-ministro e diretor-geral do Ministério do Interior, camarada Kim Chun Sam. Seu lugar era no centro da primeira fila. Ela era a única tenente e também a única mulher presente no tribunal. Os méritos que conquistara na linha de frente da defesa do Líder ocupavam, simbolicamente, a primeira fila. Na época, tinha apenas 18 anos.
Após o julgamento, conta-se que Kim Chun Sam segurou firmemente sua mão e lhe disse:
“Camarada, você defendeu o Quartel-General Supremo. Fez pela pátria e pela revolução algo que nem várias divisões poderiam realizar. Mas deverá guardar absoluto segredo sobre o que fez. A luta contra os inimigos que visam o Quartel-General Supremo ainda não terminou.”
A partir daquele dia, Kim Un Ok guardou silenciosamente seus feitos heroicos e continuou servindo anonimamente na linha de frente da defesa.
Depois da Reunião Plenária de Agosto de 1956, recebeu uma missão especial e passou a ocupar um novo posto. Ao nomeá-la chefe da central telefônica do Ministério do Interior, Kim Chun Sam orientou-a da seguinte maneira:
“Os faccionistas antipartidistas e contrerrevolucionários, juntamente com seus remanescentes, estão fazendo seus últimos esforços desesperados. Dedique todas as suas forças a cortar impiedosamente suas comunicações e descobrir e frustrar suas conspirações...”
Se, durante a guerra, sua missão consistia em travar uma batalha invisível contra as transmissões inimigas, no pós-guerra teve de enfrentar diretamente os faccionistas que, diante do Líder, gritavam “Viva!”, mas pelas costas tramavam conspirações.
Conhecendo detalhadamente todos os meios de comunicação do país, ela, juntamente com dezenas de telefonistas e operadores de rádio, passava dias e noites na central telefônica travando uma intensa batalha contra os faccionistas.
A exigência deles era simples: estabelecer comunicações para os locais que desejavam. Mas a resposta de Kim Un Ok era sempre a mesma, para qualquer pessoa:
“Não.”
Liderando telefonistas comuns, enfrentar pessoas instaladas em cargos elevadíssimos jamais foi algo simples. Ainda mais quando era obrigada a dizer repetidamente “não” a superiores de grande influência pertencentes ao mesmo sistema. Porém, para Kim Un Ok não existiam palavras como concessão ou compromisso. A central telefônica que ela protegia talvez não fosse um campo de batalha repleto de fogo e explosões, mas era, todos os dias e a cada instante, a linha mais avançada da defesa resoluta do Líder, onde sua lealdade e sua convicção eram constantemente postas à prova.
Pressões inimagináveis e tentativas de aliciamento envolviam-na continuamente como serpentes venenosas. Incapazes de dobrá-la, os inimigos chegaram a utilizar seus próprios parentes na tentativa de estabelecer ligações telefônicas. Mas sua convicção, que jamais conheceu qualquer desvio no caminho de defender o Comitê Central do Partido com a própria vida, não podia ser abalada nem mesmo pelos laços de sangue.
Para um combatente que trilha o caminho da defesa do Líder, nada é mais precioso do que a sagrada missão de proteger o Líder, nem mesmo a própria vida ou os vínculos familiares. Nesse caminho, jamais podem existir rendição, negociação ou hesitação. Esse era o credo inabalável de Kim Un Ok. Tomados pela fúria, os inimigos chegaram até a conspirar para envenená-la.
Quando, três dias depois, recuperou a consciência, vagando entre a vida e a morte, um fio de voz escapou de seus lábios:
“Não...”
Combatente fiel que havia transformado a defesa do Líder em parte de sua própria natureza e de sua convicção, ela era verdadeiramente um ser humano indomável, que nem o dinheiro podia comprar nem a morte podia vencer.
De onde vinha a força extraordinária que permitiu a uma jovem de apenas 22 anos superar ameaças, pressões, tentações e até a própria morte, preservando até o fim sua integridade revolucionária?
Ela vinha da convicção absoluta e imutável:
“Para mim, existe apenas o nosso Líder.”
Foi com essa convicção que revelou os faccionistas e seus remanescentes e realizou feitos extraordinários ao esmagar suas atividades. Já durante a Guerra de Libertação da Pátria, ela havia contribuído decisivamente, por meio da interceptação de transmissões de rádio, para descobrir importantes redes de espionagem e desmantelá-las completamente, ingressando no Partido ainda adolescente, diretamente na frente de batalha.
Esses resultados não foram fruto apenas de sua inteligência excepcional ou de sua extraordinária habilidade como especialista em interceptação de rádio.
Foram o resultado da nobre concepção de vida de Kim Un Ok, que compreendeu profundamente que sua própria vida, a felicidade de sua família e a existência da pátria só eram possíveis graças ao Líder e que considerava dedicar-lhe até a própria vida como o princípio mais precioso, o dever mais sagrado e a maior honra de sua existência.
Entretanto, devido ao caráter reservado de Kim Un Ok, que jamais revelou sequer aos próprios filhos os feitos que realizara, esses méritos permaneceram ocultos durante décadas.
Há dois anos, após a exibição de um documentário na televisão relatando sua conduta patriótica, um idoso desconhecido apareceu em sua casa. No instante em que o viu, Kim Un Ok exclamou involuntariamente:
“Camarada Kim Chun Sam!”
Na verdade, tratava-se de Kim Song Il, filho de Kim Chun Sam, a quem a veterana procurara e esperara encontrar durante muitas décadas. Mesmo em seus últimos momentos de vida, seu pai deixou de lado qualquer menção aos próprios méritos e fez apenas um último pedido: que encontrassem aquela mulher que lutara corajosamente na linha de frente da defesa do Líder durante os períodos mais difíceis da Guerra de Libertação da Pátria e da reconstrução do pós-guerra. Cumprindo esse último desejo, Kim Song Il percorreu inúmeros caminhos e enfrentou incontáveis dificuldades até finalmente encontrá-la.
Ao reencontrar, 37 anos depois, a companheira de luta de seu pai, Kim Song Il perguntou-lhe, com lágrimas nos olhos, por que, depois de realizar feitos tão grandiosos, ela havia passado toda a vida mantendo-os em silêncio.
A veterana respondeu-lhe com simplicidade:
“Jamais considerei que aquilo que fiz fosse um feito heroico.”
Mas nem o filho de seu companheiro de luta, nem o próprio veterano ou seus filhos poderiam imaginar. Não sabiam quantas histórias ela jamais pudera revelar nem aos próprios filhos, nem quanto empenho e dedicação o nosso Partido havia investido para descobrir todos os grandes e pequenos feitos que ela realizara.
A benevolência do estimado camarada Secretário-Geral, que desejava encontrar e fazer resplandecer, sem deixar escapar nenhum, os feitos dos nossos veteranos da Guerra de Libertação da Pátria, era verdadeiramente inesgotável.
Mais de sete décadas haviam transcorrido. Os companheiros que lutaram ao lado da camarada Kim Un Ok já haviam falecido, e não restava sequer alguém que se lembrasse dos feitos que ela realizara. No entanto, na memória do nosso Partido, ela jamais foi esquecida nem por um instante. Para descobrir e comprovar minuciosamente cada um dos grandes e pequenos feitos que a própria veterana mantivera em absoluto segredo, inúmeros funcionários trabalharam incansavelmente durante longos dias e meses, levando documentos do Comitê Central do Partido aos órgãos competentes e destes novamente ao Comitê Central, numa demonstração contínua de cuidado e dedicação.
Em certo dia do mês de abril passado, o estimado camarada Secretário-Geral examinou um documento apresentado pelo setor competente a respeito dos feitos da veterana de guerra Kim Un Ok.
Naquele que foi o período mais severo da nossa revolução, quão perversas foram as maquinações dos inimigos, que sonhavam com outro destino para o país, e quão precioso foi o mundo ideológico e espiritual do nosso povo e dos soldados do Exército Popular, que se dispuseram a oferecer alegremente a própria vida para proteger o grande Líder.
O estimado camarada Secretário-Geral fez questão de exaltar com orgulho a vida heroica dessa veterana de mais de 90 anos que, mesmo tendo realizado méritos dignos da admiração de todos na defesa do Líder, percorreu silenciosamente o caminho do patriotismo durante toda a sua vida, sem esperar qualquer privilégio ou recompensa, servindo apenas ao Partido e à pátria, fazendo com que seus feitos fossem transmitidos para sempre.
No momento em que o estimado camarada Secretário-Geral fez resplandecer os feitos da camarada Kim Un Ok, desconhecidos por mais de 70 anos, concedendo-lhe a Medalha Estrela de Ouro de Heroína da República, aquele instante representou o auge da glória e da felicidade na vida de uma veterana de guerra até então anônima e tornou-se um momento histórico em que os feitos dos inúmeros combatentes da defesa, conhecidos ou desconhecidos, que protegeram o Líder, passaram a brilhar ainda mais intensamente sob a luz do grande Partido.
Embora considerasse apenas ter cumprido, como soldado, a ordem da pátria, e embora o estimado camarada Secretário-Geral tenha elevado esse simples dever à condição de um feito digno da Medalha Estrela de Ouro, a veterana fez, em silêncio, uma solene promessa em seu coração:
“Somente pelo Líder e pela pátria, seguirei, de geração em geração, até o fim, o caminho da lealdade patriótica.”
Defender o Líder!
Isso não é simplesmente um slogan nem palavras escritas em um livro. É a maneira de existir e a exigência primordial da vida do nosso povo, formada e consolidada ao longo do árduo e difícil caminho da revolução.
Para o nosso povo, ser leal ao Líder significa amar a própria pátria, e defender o Líder significa proteger a si mesmo e tudo aquilo que lhe é mais precioso. Quem ousaria conquistar um povo que fez da verdade de que o Líder é o próprio destino de cada um a base da sua visão de vida?
O mais precioso legado que as novas gerações receberam dos veteranos, homens e mulheres firmes em sua ideologia e convicção, é precisamente o espírito de defesa da pátria, que nada mais é do que o espírito de defesa resoluta do Líder.
Soldado da frente de combate aos 90 anos
O desejo da camarada Kim Un Ok era servir à pátria vestindo o uniforme militar por toda a vida. Porém, no início dos seus trinta anos, foi inesperadamente licenciada devido a problemas de saúde, passando a receber assistência social.
Ao tirar o uniforme que tanto amava e passar, ainda jovem, a viver do sustento fornecido pelo Estado, ela mergulhou em profundas reflexões. O que poderia fazer pela pátria e pelos companheiros que haviam partido antes dela?
Embora já licenciada e sem ninguém para lhe dar ordens ou atribuir novas missões de combate, ela não podia interromper, nem por um instante, o caminho de serviço à pátria que iniciara durante a guerra. Depois de passar várias noites em claro, refletindo repetidas vezes, finalmente encontrou aquilo que deveria fazer. A partir do dia seguinte, todas as madrugadas, saía de casa.
Pouco tempo depois, um funcionário de coleta de materiais recicláveis do bairro de Raengchon 2, no distrito de Tongdaewon, passou a receber, todas as semanas, sem falta, uma jovem mãe que levava sucata de ferro e outros materiais reutilizáveis ao posto de coleta. Naquela época, ninguém poderia imaginar que aqueles passos, iniciados assim, continuariam inalterados por mais de sessenta anos — praticamente toda a duração de uma vida humana — enquanto vários funcionários da coleta se sucediam no mesmo posto.
Era uma mulher que criou seis filhos sem jamais levantar a voz e que normalmente passava despercebida. Ainda assim, as pessoas frequentemente lhe perguntavam:
— Onde a senhora combateu durante a guerra? Que feitos heroicos realizou?
Ela respondia sempre com uma única frase:
— Combati como operadora de rádio.
Em determinado momento, a camarada Kim Un Ok passou a separar, sempre que recebia sua cota de arroz no posto de abastecimento, alguns quilos para entregá-los ao Estado. Em seguida, dividia cuidadosamente o restante do arroz, anotando as datas em cada porção e administrando a casa com ainda mais economia. Sempre que as pessoas se comoviam com a nobreza espiritual daquela veterana, que durante tantos anos economizava alimentos para doá-los ao Estado, apesar de sustentar uma família com seis filhos, ela apenas corava e dizia:
— O Partido alimentou, vestiu e proporcionou estudos a todos os meus seis filhos. Receber apenas o sustento do Estado me faz sentir culpada.
A geração vitoriosa da guerra jamais esperou recompensa pelo sangue derramado em defesa da liberdade e da independência da pátria, nem pelo futuro das gerações seguintes. Assim como a camarada Kim Un Ok, que apertou o próprio cinto também pela parte dos companheiros caídos e serviu fielmente à causa do Partido, os nossos veteranos de guerra tinham o coração ocupado apenas pelo bem do país, tanto nos tempos favoráveis quanto nos tempos difíceis. Assim como assumiram voluntariamente a gigantesca tarefa de reconstruir uma pátria devastada pela guerra, também depois dela jamais hesitaram em dedicar-se aos trabalhos mais árduos e pesados quando se tratava do país, com o mesmo espírito demonstrado na frente de combate, quando lançavam o próprio corpo contra as casamatas inimigas para cumprir as ordens da pátria. Foi precisamente esse elevado mundo espiritual dos veteranos de guerra que implantou no coração das novas gerações a firme coluna da convicção de seguir o Partido por dezenas de milhares de ri, compartilhando com ele o destino na vida e na morte, tanto nos dias mais difíceis quanto nos dias de glória.
Ainda hoje, a esposa do filho da camarada Kim Un Ok, o camarada Kang Il Nam, a camarada Sin Son Mi, recorda repetidamente uma determinada história.
Ela entrou naquela família como a única nora de um lar em que os filhos demonstravam extrema devoção aos pais. Contudo, dia após dia, uma preocupação silenciosa crescia dentro dela. Todas as manhãs, sua sogra saía de casa dizendo que iria recolher sucata de ferro, mas voltava trazendo na mochila até mesmo cacos de vidro e papel usado, afirmando que nada daquilo podia ser desperdiçado. Embora tratasse a sogra veterana de guerra com todo o respeito e carinho, sua rotina jamais mudava. Ela sofria imaginando que as pessoas poderiam criticá-la por não cuidar devidamente dos sogros.
Por isso, certo dia levou uma grande quantidade de sucata diretamente ao posto de coleta. Mas, na manhã seguinte, a sogra voltou a sair de casa com a velha mochila às costas. Sem conseguir mais guardar aquilo para si, acabou desabafando com o marido. Perguntou-lhe por que sua sogra, uma veterana de guerra, precisava continuar sofrendo recolhendo sucata, enquanto tantos outros idosos viviam tranquilamente os últimos anos da vida.
Naquele dia, a camarada Kim Un Ok reuniu todos os filhos. Com lágrimas nos olhos, contou-lhes, pela primeira vez desde que haviam se tornado adultos e formado suas próprias famílias, a história profundamente comovente escondida nos seus nomes.
Os seis filhos — Hyon Suk, Hyon Ok, Kyong Ok, Ok Hwa, Tae Ok e Il Nam — receberam seus nomes em homenagem aos companheiros de combate que haviam tombado, escolhidos pela camarada Kim Un Ok e por seu marido, o também veterano Kang Ul.
Entre eles havia um companheiro que morreu protegendo-a de um tiro dirigido a ela, e outro que perdeu a vida cobrindo com o próprio corpo o rádio transmissor e uma peça de artilharia durante um bombardeio inimigo. Para alguém que carregava, como uma dor permanente, o sofrimento de ter perdido companheiros diante dos próprios olhos por falta de armas e munição, a sucata não era apenas metal velho.
Era rifles.
Eram balas.
Eram canhões.
Por isso, para ela, um único quilograma de sucata encontrado com as próprias mãos e entregue ao país valia mais do que uma tonelada de sucata transportada por caminhão. Cada vez que chamava os filhos pelos nomes, os rostos dos companheiros caídos surgiam diante dos seus olhos. Era isso que lhe dava forças para não desanimar, mesmo nas maiores dificuldades, e para continuar carregando, não um saco de arroz, mas uma mochila cheia de sucata, mesmo nos dias em que passava fome.
Naquele dia, a veterana fez aos filhos um pedido carregado de emoção:
— Vivam sempre com consciência, pelos benfeitores que protegeram a nossa felicidade e pela preciosa pátria.
Naquela noite, nenhum dos filhos conseguiu adormecer facilmente. Entre eles, a filha mais velha, Kang Hyon Suk, foi a que mais se emocionou.
Todos os irmãos eram alunos exemplares, sempre entre os melhores da escola, exercendo cargos como chefe de turma ou dirigente da organização estudantil. Contudo, havia uma pergunta que jamais conseguiam responder:
Por que nossa mãe, com a saúde tão frágil, continua carregando uma mochila cheia de sucata faça chuva ou faça neve?
Quando caminhavam para a escola ao lado dos colegas e encontravam a mãe recolhendo sucata ou papéis caídos pelo chão, sentiam uma vergonha que nem conseguiam explicar. Mas a mãe parecia não perceber isso. Nos dias de descanso ou nos feriados, levava alegremente todos os filhos para as obras de construção.
Quando seguiam a mãe carregando mochilas de passeio, descobriam que a mochila branca, da qual tanto cuidavam, acabava completamente cheia apenas de pedaços de sucata.
E, mesmo assim, isso ainda não bastava. A mãe colocava a mochila cheia de sucata nas costas e ainda puxava um carrinho carregado de ferro velho.
Certo dia, ela tropeçou e caiu. A mochila era tão pesada que, devido ao seu pequeno porte físico, não conseguiu levantar-se imediatamente. Ao ajudá-la a ficar de pé, Kang Hyon Suk não conseguiu conter as lágrimas.
— Esse ferro velho é assim tão precioso para a senhora? Por que se sacrifica desse jeito?
Enxugando delicadamente as lágrimas da filha, Kim Un Ok respondeu em voz baixa:
— Isto não é simplesmente sucata. São dez, cem balas.
Naquela época, ela ainda não compreendeu o verdadeiro significado dessas palavras. Mas, já avó, vendo a mãe continuar carregando a mochila cheia de sucata sem mudar em nada, a frase voltou inúmeras vezes aos seus ouvidos:
— Isto não é simplesmente sucata. São dez, cem balas.
Era exatamente isso.
A veterana jamais tirou, nem por um único dia, o uniforme militar do coração. Sempre viveu perguntando a si mesma se estava vivendo da mesma maneira que nos tempos em que oferecia com alegria a juventude ardente para defender com a própria vida o Quartel-General Supremo.
Num dia de outubro, há seis anos, quando o Rodong Sinmun publicou a notícia da 19ª reunião do Bureau Político do 7º Comitê Central do Partido, convocando todo o Partido, todo o país e todo o povo a travarem energicamente a Campanha dos 80 Dias para receber gloriosamente o 8º Congresso do Partido, a veterana dirigiu-se ao Comitê Primário do Partido de Haeun 1-dong.
— Eu também participarei da Campanha dos 80 Dias.
Diante daquele ardente patriotismo da veterana, que sempre sabia encontrar antes de todos o seu próprio posto e a sua própria tarefa quando se tratava de responder ao chamado do Partido, o funcionário do comitê local sentiu o peito aquecer como se abraçasse uma chama viva.
Durante a Campanha dos 80 Dias, a veterana estabeleceu a meta de recolher mais 80 kg de sucata de ferro para contribuir com o país. Foi então que passou a carregar consigo um ímã. Bastava aproximá-lo do chão para localizar com precisão e rapidez onde havia sucata. Depois de desenterrar aqueles pedaços de ferro que considerava verdadeiros tesouros, limpava cuidadosamente, um a um, toda a terra que neles permanecia. Quando os filhos lhe perguntavam por que fazia aquilo com tanto esmero, se de qualquer forma a sucata seria enviada ao posto de coleta, ela respondia:
— Isto é a minha consciência oferecida à pátria.
Certo dia, quando se esforçava intensamente para cumprir a meta estabelecida para a Campanha dos 80 Dias, a veterana adoeceu e ficou acamada. Sua filha, Kang Tae Ok, implorou-lhe que descansasse por alguns dias e fizesse o tratamento, lembrando que ela já havia alcançado a meta dos 80 kg de sucata. Mas qual foi a resposta da veterana?
— A Campanha dos 80 Dias ainda não terminou. Como posso eu, sendo membro do Partido, abandonar o posto de combate? Eu já estabeleci uma meta ainda maior para esta campanha.
Dizendo que, depois da chuva, a sucata ficava mais fácil de encontrar, ela preferia percorrer os caminhos enlameados em vez das estradas secas. Essa era Kim Un Ok: uma pessoa que não conseguia dormir tranquila sequer por uma noite se passasse um dia sem oferecer alguma contribuição ao país. Por isso, não apenas os filhos, mas até os bisnetos, sempre que encontravam um pedaço de sucata na rua, colocavam-no na mochila para levá-lo à veterana, para quem aquilo era um bem de enorme valor.
Durante a Campanha dos 80 Dias, a veterana entregou ao país 103 kg de sucata de ferro, ultrapassando a meta prevista. Ao longo de mais de 60 anos, recolheu e doou mais de 60 toneladas de sucata para contribuir com o país. Vivendo em tempos de paz como uma combatente dos dias da guerra e dedicando sinceramente cada um dos 365 dias do ano ao trabalho em benefício da pátria, jamais existiu, em seu coração, a ideia de ter deixado o serviço militar.
Como seria possível expressar, apenas pelo número de mais de 60 toneladas de sucata, a consciência pura como jade dessa veterana, que, com mais de 90 anos de idade, continuava vivendo como uma combatente da guerra e recolhendo sucata diariamente para fortalecer a capacidade de defesa nacional? E como não colocar os mais de 60 anos do seu patriotismo lado a lado com os feitos heroicos que realizou durante os três anos da guerra?
A história de patriotismo que Kim Un Ok escreveu ao longo de mais de 60 anos, sem jamais interromper os passos de serviço à pátria que iniciou na juventude para defendê-la, constitui mais um relato de combate sobre feitos heroicos gravados em tempos de paz.
Concluiremos esta história com um episódio ocorrido em um dia de abril de dois anos atrás, quando a veterana Kim Un Ok comemorava seu 90º aniversário.
Naquele dia, em que se acumulavam as felicitações e os votos de felicidade de inúmeras pessoas, seu filho, o camarada Kang Il Nam, com o coração transbordando de gratidão, serviu-lhe uma taça de bebida.
— Mãe, que nos incutiu a convicção da defesa resoluta do Líder, cultivou em nós o espírito patriótico e nos ensinou a verdadeira consciência e o verdadeiro dever moral; mãe, que nos deu o mais precioso patrimônio da vida, nós a respeitamos e amamos mais do que qualquer outra pessoa neste mundo.
Enquanto discretos soluços se misturavam à emoção que envolvia todo o ambiente, ouviu-se de algum lugar um sincero pedido para que, numa ocasião tão significativa, a veterana dirigisse algumas palavras aos presentes.
Recordando profundamente os seus 90 anos de vida — anos marcados por glórias e provações, alegrias e sofrimentos — Kim Un Ok, combatente da defesa durante a guerra, veterana de guerra e mãe de seis filhos, recitou, com toda a emoção acumulada em seu coração, o poema de que mais gostava.
…
Pela única pátria que temos,
embora a vida seja insubstituível,
oferecer-lhe a minha juventude,
que vida poderia ser
mais preciosa,
que esperança
mais bela,
que felicidade
mais grandiosa?
O poema "Pela única pátria que temos", do herói Ri Su Bok, recitado com toda a alma por aquela veterana de 90 anos, era, na verdade, o juramento patriótico que ressoou, dia após dia e momento após momento, em seu coração, tanto durante os dias da guerra quanto nos dias de paz.
Mesmo tendo realizado feitos heroicos destinados a permanecer para sempre na história da pátria, ela os guardou silenciosamente no coração e continuou a trilhar, sem vacilar e sem jamais interromper, o caminho de serviço ao Partido e à pátria, vivendo toda a sua existência com o mesmo espírito do herói Ri Su Bok aos dezoito anos de idade. Não é justamente nessa vida patriótica, vivida como soldado durante décadas, mesmo aos 90 anos de idade, que reside o seu verdadeiro feito heroico?
É porque revolucionários veteranos tão admiráveis como ela, que jamais hesitaram diante de qualquer dificuldade no caminho de servir ao Partido e ao Líder e que, durante toda a vida, continuam inspirando a grande marcha revolucionária com a postura firme de autênticos soldados da revolução, permanecem firmemente à frente das fileiras dos continuadores, que a nossa revolução avança inabalavelmente e a pátria socialista se torna, dia após dia, ainda mais poderosa.
Jo Hyang Son e Ri Sol Min
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