Na República Democrática do Congo, o número de pessoas infectadas pelo vírus Ebola e de mortes continua aumentando.
Segundo as autoridades de saúde do país, no dia 19, o número de infectados chegou a 2.423, dos quais 967 morreram. A taxa de letalidade aproxima-se de 40%.
A Organização Mundial da Saúde considera que a dimensão dos danos causados pelo vírus Ebola na República Democrática do Congo pode ser, no mínimo, duas vezes maior e, no máximo, quatro vezes maior do que a oficialmente divulgada.
Atualmente, as áreas afetadas pelo vírus Ebola continuam se expandindo para outras regiões do país. As autoridades sanitárias da República Democrática do Congo informaram que novos casos foram registrados em Adja, na província de Ituri, elevando para 47 o número de áreas afetadas em cinco províncias.
À medida que as áreas de contágio aumentam, a velocidade de transmissão também se acelera.
Segundo o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, na República Democrática do Congo, cada grupo de 10 pessoas infectadas transmite o vírus para outras 14.
Um representante da Organização Mundial da Saúde manifestou preocupação ao afirmar que, nos últimos dias, foi registrado o maior número diário de infecções, chegando a mais de 80 casos confirmados em apenas 24 horas, acrescentando que se observa o ritmo de propagação mais rápido já registrado em apenas um mês desde o surgimento da epidemia de Ebola.
Uma das razões para o rápido aumento da taxa de infecção na República Democrática do Congo é o agravamento contínuo do conflito armado. Nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, os confrontos armados prosseguem, aumentando o número de mortos, feridos e deslocados, enquanto profissionais de saúde vêm sendo sequestrados.
Segundo informações, a maioria das mortes recentemente registradas ocorreu em comunidades sem instalações de saúde ou sem acesso a tratamento médico. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários informou que continuam surgindo casos confirmados de Ebola nos campos de deslocados da província de Ituri, onde vivem cerca de 270 mil pessoas, acrescentando que isso se deve à superlotação dos campos e à inexistência das condições básicas de vida.
A instabilidade social provocada pelos confrontos armados dificulta o acesso às regiões afetadas e, além disso, a constante movimentação da população deslocada impede que todos os infectados sejam devidamente identificados.
Um representante da Organização Mundial da Saúde explicou que, embora as técnicas de diagnóstico e rastreamento de contatos tenham evoluído, cerca de 80% dos novos pacientes não figuravam nas listas de pessoas monitoradas, tornando impossível determinar a origem da infecção. Isso dificulta a resposta à epidemia de Ebola. Não foi por acaso que o diretor-geral da organização enfatizou que apenas cerca de 45% das pessoas que tiveram contato com infectados pelo vírus Ebola estão sendo monitoradas e que, para controlar a propagação, essa proporção precisa ser elevada para mais de 90%.
Especialistas manifestam preocupação pelo fato de a velocidade de propagação continuar superando a capacidade de resposta.
Atualmente, a inexistência de uma vacina capaz de enfrentar o vírus Ebola também contribui para o aumento da taxa de infecção.
Enquanto muitos países aprofundam as pesquisas sobre vacinas, recentemente foi desenvolvida na Rússia uma vacina capaz de combater o vírus Bundibugyo, uma variante do vírus Ebola.
A vacina, desenvolvida com base na sequência genética da variante identificada na África, está sendo testada em macacos para verificar se oferece proteção contra o respectivo agente patogênico.
As medidas de prevenção para reduzir o risco de propagação do vírus estão sendo reforçadas.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças declarou que especialistas em saúde, trabalhadores humanitários, voluntários e integrantes dos órgãos competentes estão realizando atividades de resposta "sob intensa pressão", identificando pessoas infectadas, cuidando dos pacientes e protegendo as comunidades das áreas afetadas contra a infecção pelo vírus.
O centro informou que já iniciou investigações epidemiológicas, rastreamento de contatos e avaliações do risco de infecção, ressaltando que está sendo conduzida uma apuração detalhada da situação real da propagação. Também apelou para que todas as organizações que atuam nas áreas afetadas reforcem as medidas de segurança necessárias às suas atividades, comuniquem rapidamente casos suspeitos de infecção e sintomas, e prestem apoio contínuo às pessoas envolvidas.
Além dos países africanos, diversos outros países, entre eles a Arábia Saudita, estão reforçando as medidas de quarentena para pessoas que regressam da República Democrática do Congo.

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