O Serviço de Inteligência de Defesa da Dinamarca, em seu relatório anual, pela primeira vez na história classificou os Estados Unidos como um país potencialmente preocupante em termos de segurança. Afirma que os Estados Unidos recorrem ao poder econômico para impor coercitivamente sua vontade e que já não excluem a possibilidade de uso da força militar nem mesmo contra países aliados. Diz ainda que, por causa disso, cresce entre a população dinamarquesa a preocupação em relação à segurança no que diz respeito aos Estados Unidos.
Não é apenas a Dinamarca. Em outros países ocidentais também aumenta o sentimento de repulsa em relação aos Estados Unidos.
Recentemente, segundo uma pesquisa de opinião realizada pela revista estadunidense Politico no Reino Unido, França, Alemanha, Canadá e outros países ocidentais, muitos entrevistados responderam que os Estados Unidos não são confiáveis e que, em vez de resolver problemas, são um país que provoca instabilidade.
No Canadá, mais de 60% afirmaram que os Estados Unidos se tornaram um desafio e um país que cria problemas. Da mesma forma, na Alemanha, na França e no Reino Unido, quase 50% expressaram abertamente a opinião de que os Estados Unidos são um país ameaçador.
Analistas avaliam que quem provocou a rápida mudança na percepção sobre os Estados Unidos no mundo ocidental foi justamente os próprios Estados Unidos. Diz-se que, ao erguerem a bandeira do “prioridade ao próprio país”, eles desprezam seus aliados.
Os países europeus vêm manifestando sem reservas sua insatisfação com diversas medidas adotadas pelos Estados Unidos.
Quando, no fim do ano passado, os Estados Unidos anunciaram a proibição de entrada de figuras de alto escalão da Comissão da União Europeia, a Europa reagiu imediatamente com oposição.
Na ocasião, os Estados Unidos afirmaram que políticos europeus vinham defendendo há muito tempo, de forma coletiva, a adoção de medidas de fiscalização contra empresas estadunidenses de tecnologia da informação e que não tolerariam mais esse tipo de comportamento explicamente anti-EUA, decidindo assim proibir a entrada dessas pessoas.
O ministro das Relações Exteriores da França publicou nas redes sociais mensagens com o teor de “A França condena veementemente a medida dos Estados Unidos de proibir a entrada de cinco altos funcionários europeus” e “Os países europeus não podem permitir que outros países interfiram em seus assuntos internos”.
Um alto funcionário da União Europeia afirmou que as leis relacionadas à tecnologia da informação na Europa foram adotadas por unanimidade por todos os Estados-membros, com o apoio de cerca de 90% dos comissários, justificando assim a fiscalização aplicada às empresas estadunidenses.
A Europa também reagiu contra a nomeação, pelos Estados Unidos, de um enviado especial para a Groenlândia.
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca convocou o embaixador dos Estados Unidos e exigiu o respeito à integridade territorial de seu país.
O primeiro-ministro do governo autônomo da Groenlândia criticou os Estados Unidos, afirmando que a nomeação de um enviado especial não mudará nada, que o futuro da Groenlândia será decidido pelos próprios groenlandeses e que a Groenlândia pertence aos groenlandeses.
A presidente do Partido Social-Democrata da Dinamarca declarou que os Estados Unidos estão novamente tentando anexar a Groenlândia e criar um sentimento de insegurança e incerteza, que é preciso abandonar todas as ilusões sobre a aliança com os Estados Unidos, pois a situação é triste e grave, e que a Europa deve mobilizar todas as possibilidades para impedir os planos de anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos.
O porta-voz da Comissão da União Europeia reagiu de forma sensível à nomeação do enviado especial dos Estados Unidos para a Groenlândia, afirmando que a integridade territorial, a soberania e as fronteiras da Dinamarca são invioláveis e que defendê-las é de extrema importância para a União Europeia.
Analistas afirmam que, no futuro, a situação não mudará e que, ao contrário, a desconfiança dos países aliados em relação aos Estados Unidos tende a aumentar ainda mais.

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